Mercado farmacêutico prevê retomada de fusões e aquisições
Após um 2025 marcado pela quebra de expectativa, setor projeta aceleração nas negociações ao longo do ano
por Gabriel Noronha em
O mercado farmacêutico iniciou 2026 com sinais de maior aquecimento em fusões e aquisições, reflexo do aumento das negociações registrado ao longo do segundo semestre de 2025.
A meta, no entanto, é seguir um caminho diferente do observado no ano passado, que teve um início marcado por forte dinamismo científico e comercial. Esse movimento foi impulsionado por operações como a aquisição da Intra-Cellular Therapies pela J&J por US$ 14,6 bilhões (R$ 78,56 bilhões); o acordo de US$ 1 bilhão (R$ 5,38 bilhões) entre a GSK e a IDRx; e a compra, pela Eli Eli Lilly, de um medicamento oncológico da Scorpion Therapeutics, avaliada em US$ 2,5 bilhões (R$ 13,45 bilhões).
Apesar do início promissor, o entusiasmo perdeu forças nos meses seguintes. “No segundo trimestre de 2025, a indústria biofarmacêutica adotou uma postura mais conservadora. Os anúncios de reformas nos preços de medicamentos nos EUA, as tarifas e as incertezas comerciais, combinados com a iminente expiração de patentes e o aumento dos custos, contribuíram para uma perspectiva mais cautelosa”, analisa Hannah Hans, diretora de inteligência estratégica da GlobalData.
Mercado de fusões e aquisições avançou de forma gradual no fim do ano
Com o passar do tempo, as farmacêuticas conseguiram se reorganizar, ganhando mais confiança no cenário do setor à medida que os fatores externos de incerteza eram gradualmente amenizados.
O principal sinal dessa retomada foi o volume de transações no segundo semestre. Das dez principais negociações do ano, oito ocorreram nesse período, sendo seis oficializadas apenas no último trimestre.
“À medida que as pessoas se familiarizaram com os regimes regulatórios, conseguiram incorporá-los aos seus modelos e à forma como avaliavam as empresas-alvo”, explica Gabrielle Witt, sócia da área de M&A do escritório de advocacia Hogan Lovells. “Acreditamos que esse ritmo continuará em 2026”, adiciona.
“Vimos uma aceleração nas fusões e aquisições na segunda metade de 2025 e esperamos que esse ritmo se intensifique em 2026”, avalia Van de Vyver, consultor de M&A na McKinsey.
“Abismo de patentes” agita o mercado
Outro fator de destaque nessa equação é o fenômeno classificado como “abismo de patentes”, explicado pelo Panorama Farmacêutico no início do ano. Diante da perspectiva de perdas de receita com o fim da exclusividade de diversos medicamentos, as farmacêuticas buscam renovar seus portfólios por meio da aquisição de fármacos promissores ainda nos estágios iniciais de desenvolvimento.
“Impulsionado por fortes receitas, pelo desenvolvimento do mercado de biotecnologia e pelo risco eminente do fim da exclusividade de alguns medicamentos blockbusters, é provável que 2026 apresente uma considerável aceleração no ritmo de negociações, incluindo 20 aquisições que devem superar a marca de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões)”, projeta Pierre Jacquet, da L.E.K Consulting. “A pressão para a reconstrução dos pipelines está se intensificando”, complementa.