Varejo farmacêutico digital atinge R$ 27,5 bilhões em 2025
Estudo mostra crescimento de 11,3% no setor, impulsionado por e-commerce, PIX, prescrições eletrônicas e avanço dos medicamentos GLP-1
por Ana Claudia Nagao em
Estudo da IQVIA, apresentado na Conferência Saúde & Farma 2026 promovida pelo E-commerce Brasil, revela que o varejo farmacêutico brasileiro movimentou R$ 246,1 bilhões em 2025, crescimento de 11,3% em relação ao ano anterior. E pela primeira vez o market share das vendas digitais supera dois dígitos, com mais de 11% do volume de negócios e R$ 27,5 bilhões de receita.
Os dados consideram o customer purchase price (CPP), que corresponde ao preço efetivamente pago pelo consumidor final pelos medicamentos. “Nos últimos dois anos, a evolução do varejo online foi de 56,5%, impulsionada pela redução de fricção na jornada de compra, com a facilitação via PIX, aplicativos e prescrições eletrônicas”, afirma Fabio Alguim, diretor sênior de Relacionamento com Parceiros Estratégicos & Serviços ao Cliente da IQVIA.
Em dezembro, os canais digitais responderam por 13,2% do faturamento total. Já em novembro, sob influência da Black Friday, esse percentual atingiu 14,8%, evidenciando a importância das ações promocionais para a atração e fidelização de consumidores no ambiente digital.
“Essa curva de crescimento mostra um padrão consistente ao longo do tempo, com picos recorrentes em novembro e um efeito residual nos meses seguintes. A Black Friday tem papel estratégico nesse processo ao introduzir novos consumidores, que passam a utilizá-los de forma recorrente. Esse movimento gera impacto estrutural positivo para o varejo farmacêutico”, detalha o executivo.
Concentração do varejo farmacêutico digital
Apesar do avanço, as vendas online efetivadas pelas farmácias ainda esbarram em desigualdades, já que praticamente R$ 6 a cada R$ 10 gastos no ambiente virtual ainda provêm de consumidores da Região Sudeste.
Penetração do varejo digital por região
(em bilhões de R$ e %)
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A representatividade do e-commerce para os negócios chega a 13,9% no Sudeste. É o único percentual que supera a média brasileira.
Preferência do consumidor
Pesquisas com consumidores indicam que o site e o aplicativo das farmácias são os canais preferidos para a compra de diversas categorias, incluindo cosméticos, produtos de beleza, suplementos alimentares e medicamentos isentos de prescrição.
Tipo de canal de preferência para compras online
| Site das farmácias | Lojas especializadas | Marketplace | Lojas de departamentos | Site do fabricante | Não tem preferência | |
| Cosméticos corpo e rosto | 39% | 27% | 9% | 4% | 5% | 15% |
| Produtos de beleza | 22% | 44% | 9% | 5% | 3% | 17% |
| Suplementos alimentares | 44% | 8% | 17% | 9% | 9% | 13% |
| Cuidados infantis | 56% | 6% | 15% | 5% | 6% | 12% |
| Higiene e cuidado pessoal | 51% | 16% | 11% | 2% | 4% | 17% |
| Conveniência | 19% | 7% | 16% | 15% | 13% | 31% |
| Saúde/ hospitalar | 63% | 13% | 9% | 4% | 7% | 4% |
| Medicamentos sem prescrição | 76% | 4% | 8% | 3% | 6% | 8% |
Comparação entre varejo físico e digital
A análise do portfólio evidencia que categorias de maior valor agregado apresentam desempenho superior nos canais digitais. Produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC) representam 24,2% das vendas digitais, assim como cuidados infantis (17,5%) e dermocosméticos (15,3%).
Nos medicamentos de prescrição, a mesma lógica se repete. Os chamados RX promovidos – medicamentos de referência com menor desconto – correspondem a 78% das vendas digitais, frente a 59% no físico, impulsionados principalmente pelos análogos de GLP-1. Já os genéricos representam 33,2% das vendas físicas, mas apenas 20,3% no digital. Os medicamentos de alto desconto (RX trade) têm participação reduzida no online (1,7%) em comparação ao físico (7%).
Comparação do portfólio do varejo físico x digital
| Vendas R$ salão | ||
| Categorias | Físico | Digital |
| MIP | 40,7% | 28,6% |
| HPPC | 22,2% | 24,2% |
| Cuidado bebê / infantil | 12,4% | 17,5% |
| Cuidado ao paciente | 7,7% | 5,7% |
| Dermocosmético | 6,2% | 15,3% |
| Alimentos, bebidas e conveniência | 5,8% | 3,4% |
| Tratamentos dermatológicos | 2,5% | 1,4% |
| Saúde sexual e saúde masculina | 2,0% | 2,8% |
| Nutricosméticos | 0,6% | 1,2% |
| Vendas R$ balcão | ||
| Categorias | Físico | Digital |
| RX promovido | 59,8% | 78,0% |
| RX genérico | 33,2% | 20,3% |
| RX trade | 7,0% | 1,7% |
Destaques terapêuticos
No recorte por classes terapêuticas, o crescimento é liderado por diabetes, com alta de 248,7%, impulsionada pelos análogos de GLP-1. O mercado de sistema nervoso central cresce 35,8%, refletindo o aumento dos transtornos de ansiedade e o impacto do estilo de vida hiperconectado. Na sequência aparecem cardiovascular (35,4%) e ginecologia e urologia (42%).
Nos medicamentos isentos de prescrição (MIP), os principais ganhos estão em vitaminas, minerais e suplementos (VMS), com 35,2% de alta. Já em consumer health, praticamente todas as categorias crescem de forma robusta no digital, com destaque para fraldas (24,7%), fórmulas infantis (45,8%), cuidados com o corpo (35,7%), banho (35,5%), higiene oral (41,5%) e desodorantes (31,2%).
Aumento de volume e mercado de GLP-1
Na comparação entre os 12 meses encerrados em dezembro de 2024 e o período de janeiro a dezembro de 2025, o canal digital cresceu 51,9%. Desse total, 22,3% foram alavancados pelo mercado de GLP-1, totalizando R$ 4 bilhões em vendas. O crescimento foi impulsionado principalmente por volume (+24,9%), além de efeitos de preço (+2%) e lançamentos (+2,7%).