Open finance surge como caminho para crédito mais barato
Pesquisa revela que 42% das PMEs estão dispostas a compartilhar dados para obter melhores taxas em financiamentos
por Ana Claudia Nagao em
Quase metade das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras aceitam compartilhar seus dados financeiros por meio do open finance para acessar crédito a taxas mais baixas. É o que revela uma pesquisa do Serasa Experian, ao apontar que 42% dos empresários enxergam nesse modelo uma oportunidade de reduzir o custo do empréstimo.
Além disso, o levantamento indica que 33% das PMEs buscam uma visão consolidada de suas contas, 32% querem tomar decisões mais assertivas a partir de dados e 22% esperam reduzir o tempo gasto com controles manuais, simplificando a gestão financeira do negócio.
De acordo com Mariana Figueiredo, diretora de produtos para pequenas e médias empresas do Serasa Experian, o interesse demonstra uma mudança de mentalidade no empresariado. “O conjunto dessas expectativas indica que o compartilhamento de informações vai além de uma exigência tecnológica e abre caminho para organizar a vida financeira e profissionalizar a gestão. Esse movimento ganha força à medida que ferramentas inteligentes passam a traduzir dados complexos em ações práticas para o dia a dia”, observa.
Apesar disso, o potencial do modelo ainda é pouco explorado. Apenas 38% dos entrevistados afirmam que estariam dispostos a autorizar o uso dos dados financeiros para apoiar a gestão da empresa. O desconhecimento ainda é uma barreira relevante – 45% não sabem quais são os benefícios do open finance e outros 15%, embora tenham ciência do conceito, não compreendem por completo suas funcionalidades.
“Quando o empreendedor entende o valor dos próprios dados, ele enxerga que o open finance não é apenas uma porta para crédito mais barato, como também uma ferramenta que confere mais transparência às contas. O acesso consentido permite antecipar necessidades de caixa, consolidar movimentações e transformar dados brutos em decisões práticas. E é justamente essa tradução que empodera as PMEs”, reforça Mariana.
O próprio Serasa conta com uma ferramenta que integra contas bancárias do negócio em um só lugar via open finance. Com apoio de inteligência artificial, automatiza conciliação das contas, análises, históricos e projeções.
Open finance mexe na estrutura do mercado de crédito
Além de benefícios operacionais, oopen finance simboliza uma mudança estrutural no mercado de crédito. Em entrevista ao Seu Dinheiro, Rogério Mauad, professor de mercado financeiro da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), afirma que o modelo ajuda a corrigir um problema histórico enfrentado pelas PMEs – a assimetria de informação.
“Tradicionalmente, bancos analisam apenas indicadores internos, como histórico de relacionamento e garantias formais, o que leva a prêmios de risco elevados e restrições ao crédito”, explica.
Já a possibilidade de trocar mais informações, como fluxos de caixa, históricos de pagamento e dados de relacionamento com diferentes instituições financeiras, reduz a incerteza para os credores e melhora a precificação do risco.
Inadimplência empresarial em alta
O debate ocorre em um cenário desafiador para as empresas brasileiras. O Serasa Experian revelou que a inadimplência entre pessoas jurídicas atingiu, em setembro de 2025, o recorde de 8,4 milhões de CNPJs.
No período, a dívida média das companhias inadimplentes beirou R$ 24 mil, um crescimento de 9,5% em comparação a setembro de 2024. Cada empresa acumulou, em média, 7,2 contas em atraso. Somados, os débitos ultrapassaram R$ 200 bilhões.