Faturamento do varejo farmacêutico supera R$ 240 bi
Apesar de alta ainda na casa de dois dígitos, crescimento do setor foi o segundo mais baixo dos últimos cinco anos
por César Ferro em
O faturamento do varejo farmacêutico segue em alta e fechou os últimos 12 meses até novembro de 2025 em R$ 241,3 bilhões, segundo levantamento da Close-Up International. No entanto, o ritmo de crescimento ficou quase dois pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo intervalo anterior.
Na análise comparativa entre 2023 e 2024, o avanço foi de 13,8%. Já quando avaliado 2025 versus os 12 meses até novembro de 2024, a evolução chegou a 11,3%. É o segundo menor patamar de incremento desde 2022.
A evolução do faturamento do varejo farmacêutico
(em bilhões de R$ e % de crescimento)

Grandes redes detêm quase metade do faturamento do varejo farmacêutico
As grandes redes da Abrafarma continuam liderando o faturamento do varejo farmacêutico, concentrando 46,8% do total. Na comparação com o mesmo período anterior, a fatia cresceu 1,5 ponto percentual.
Na sequência vêm as farmácias independentes, com 17,6%, e as associativistas ligadas à Febrafar, com 16,5%. Apesar de manter a segunda colocação, as independentes perderam 1,1 ponto percentual., enquanto o associativismo avançou de forma singela – 0,3.
A participação na receita do setor
(em % do total de R$ 241,3 bilhões)

Ivan Engel, diretor de Serviços e Insights ao Varejo e Distribuição da consultoria, entende que as grandes redes vêm ampliando pressão sobre as independentes mesmo com operação concentrada em cidades de maior porte. “Essas empresas promoveram avanços relevantes no digital, especialmente na entrega rápida ao consumidor – tarefa que era exercida com excelência pelas lojas de bairro”, contextualiza.
Com logística aprimorada, as redes estendem seu raio de abrangência em localidades onde sequer mantêm PDVs.
“A principal dificuldade das farmácias independentes não é apenas competir em preço ou tecnologia, mas lidar com a sobrecarga de funções do proprietário”, reforça Gilson Coelho, consultor de educação corporativa e especialista doPanorama Farmacêutico.
Para ele, as farmácias independentes devem pensar em segmentação e no respeito à realidade de cada negócio. “Não existe uma solução única. Uma farmácia que fatura R$ 60 mil vive uma realidade completamente diferente de outra que fatura R$ 300 mil ou R$ 1 milhão. A forma de ensinar, apoiar e atender precisa ser proporcional ao tamanho e à maturidade do negócio”, ressalta.
Outras farmácias é a categoria que mais cresceu nos últimos cinco anos
Apesar de representar apenas 2,8% do faturamento do setor, a categoria de Outras Farmácias registrou um crescimento composto de 15,1% entre 2021 e 2025. A performance supera o avanço médio do setor (11,5%), da Abrafarma (11%) e da Febrafar (11,7%).
Embora a maior parte dos nichos tenha apresentado alta no período, as especialistas digitais vivem um momento diametralmente oposto. Essa categoria apresentou retração. O resultado reflete também que a maior fatia das vendas online vem sendo conquistada pelas grandes redes, justamente em função da integração entre canais físico e digital.
Quem ganhou e quem perdeu
(Crescimento composto entre 2021 e 2025)
