Pesquisas clínicas devem movimentar R$ 6,3 bi por ano no Brasil
Setor tende a atrair R$ 2,1 bilhões em investimentos com regulamentação
por César Ferro em e atualizado em
O Brasil, apesar da diversidade étnica e da grande população, ocupa a 19ª posição no ranking mundial de pesquisas clínicas, segundo estudo da IQVIA. Mas, com o Decreto nº 12.651/2025, que regulamentou a Lei da Pesquisa Clínica com Seres Humanos (Lei nº 14.874/2024) em outubro do ano passado, esse cenário tende a mudar.
Com regras claras e mais agilidade, a expectativa é que os estudos clínicos consigam colocar o País em um lugar de destaque no cenário mundial. Outra expectativa em torno dessa regulamentação é o aumento dos investimentos e o benefício à economia.
“Além de possibilitar novas opções de tratamentos e qualidade de vida para os pacientes, a pesquisa clínica também pode alavancar a economia brasileira, já que, ano após ano, temos observado o avanço do setor farmacêutico no País”, explica Fernando de Rezende Francisco, diretor executivo da Associação Brasileira de Organizações Representativas de Pesquisa Clínica (ABRACRO).
De acordo com um relatório da Alvarez & Marsal, somente em 2024, a indústria farmacêutica movimentou R$ 162 bilhões, o que representa crescimento de 13% nos últimos seis anos. A expectativa é que o mercado de saúde cresça 9% até 2028 e alcance uma receita de R$ 1,8 trilhão.
Regulamentação das pesquisas clínicas pode movimentar R$ 6,3 bi por ano
De acordo com a IQVIA, a lei e sua regulamentação podem atrair R$ 2,1 bilhões por ano em investimentos diretos e movimentar R$ 6,3 bilhões anuais na economia. A estimativa é de que aproximadamente 286 mil pacientes sejam beneficiados e que 56 mil vagas de emprego qualificado serão criadas.
“Além disso, a cadeia produtiva da saúde será fortalecida, já que empresas que atuam em diferentes frentes podem ter um aumento significativo na demanda, como, por exemplo, marcas responsáveis pela fabricação de equipamentos, que oferecem serviços de TI, insumos e suporte para os estudos, além de laboratórios e companhias de logística”, afirma.
Número de estudos iniciados anualmente pode dobrar
Segundo o relatório Panorama da Pesquisa Clínica no Brasil e no Mundo, realizado pela Interfarma, em parceria com a IQVIA, o número de estudos iniciados anualmente poderia mais que dobrar, de 254 para 635, elevando o Brasil no cenário global. “Estamos diante de uma oportunidade histórica. O Brasil já tem potencial para ser líder global. Agora, finalmente, conta com um arcabouço regulatório moderno, alinhado às práticas internacionais, para alcançar esse objetivo”, comenta Renato Porto, presidente-executivo da associação.