Operação apura desvio de R$ 30 milhões no Farmácia Popular
Investigação reuniu Receita Federal, Polícia Federal e CGU
por César Ferro em
A Receita Federal, em parceria com a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), realizou uma operação na terça-feira, dia 10, para apurar o desvio de recursos do Farmácia Popular na ordem de R$ 30 milhões. As informações são da Receita Federal.
A Operação OTC – Over The Counter teve início após uma comunicação de uma cidadã, informando que seu CPF havia sido usado indevidamente em suposta compra de medicamento no programa. A transação em questão foi registrada por uma drogaria no Mato Grosso do Sul.
A partir dessa denúncia, foram identificados indícios da atuação de uma organização criminosa que fraudava a iniciativa em escala nacional. Segundo as investigações, o grupo comprava CNPJs de lojas cadastradas no Farmácia Popular e transferia a titularidade a laranjas.
Grupo registrava vendas fictícias no Farmácia Popular
De posse dos cadastros, os golpistas passaram a registrar vendas fictícias de medicamentos no sistema oficial do programa. Para concretizar a transação, a quadrilha utilizava CPFs indevidamente, sem o conhecimento dos detentores do documento.
Com o procedimento, eles conseguiam receber os reembolsos das ‘vendas’ realizadas dentro da iniciativa. A operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e contou com a participação de mais de 20 agentes.
Especialista destaca que prejuízos vão além do financeiro
O CEO da Regulariza Farma e integrante do time de Especialistas do Panorama Farmacêutico, Guilherme Mesquita, destacou que, apesar da representatividade do prejuízo financeiro, esse não é o único desafio causado pela fraude. “Quando casos assim vêm à tona, a credibilidade do Farmácia Popular pode ser atingida e, junto com ela, a imagem de centenas de estabelecimentos farmacêuticos credenciados que cumprem rigorosamente seu papel”, lamenta.
O executivo também destaca que a “imensa maioria” das farmácias credenciadas trabalha de acordo com as normas e cumpre as exigências legais. Ele completa convidando o setor para um momento de união. “Precisamos transformar essa realidade. O programa é um patrimônio da saúde pública brasileira e cabe a nós protegê-lo”, finaliza.