Fábrica da Daiichi-Sankyo recebe aporte de R$ 400 milhões
Planta de Barueri (SP) passa por expansão que deve triplicar a capacidade produtiva até 2027
por Gabriel Noronha em e atualizado em
A Daiichi-Sankyo inaugurou nesta semana a primeira etapa do processo de expansão da sua planta fabril em Barueri (SP). O principal destaque da agenda foi a abertura de um novo almoxarifado, em evento que contou com a cobertura exclusiva do Panorama Farmacêutico.
Atualmente, a fábrica é responsável pela produção de mais de 20 medicamentos, incluindo Lixiana, Loxonin, Latuda e as quatro apresentações do Benicar. A expansão envolverá quatro etapas, dentro de um projeto de R$ 400 milhões que deve triplicar a capacidade de produção da unidade e tem previsão de conclusão em 2027.
As mudanças também incluem a reorganização dos ambientes atuais, a construção de novos espaços e a reestruturação de um prédio icônico da cidade. A antiga sede da Sadia será incorporada pela farmacêutica e concentrará diversos laboratórios.
“Cerca de 70% desses fármacos são destinados ao mercado brasileiro, enquanto pouco mais de 30% são exportados para países da América Latina, o que reforça o posicionamento do Brasil como polo produtivo regional. A ampliação da planta atende a essa proposta e deverá gerar em torno de 100 empregos diretos, contribuindo para o desenvolvimento econômico local”, comenta Marcelo Gonçalves, presidente da farmacêutica no país.
A expansão também marca o início de um plano para transformar o Brasil em um hub global de logística e produção, com foco em mercados como Canadá, Ásia e Oceania.Inauguração reuniu figuras importantes
O encontro contou com a presença de executivos da unidade brasileira e da matriz global, além de autoridades locais, do setor de saúde e diversos outros convidados. A cerimônia começou com uma apresentação de Hiroto Kashiwase, head global da unidade de tecnologia da farmacêutica, que detalhou a estrutura operacional da companhia e indicadores globais de desempenho.
A Daiichi-Sankyo mantém mais de 19 mil funcionários e colaboradores em nível global e opera 22 centros de P&D em 12 países, além de 13 plantas fabris em seis nações. O faturamento superou US$ 12 bilhões (R$ 63 bilhões) em 2024, enquanto os aportes em desenvolvimento de novos fármacos alcançaram US$ 2,8 bilhões (R$ 14,67 bilhões).
Na sequência, Gonçalves apresentou detalhes da operação brasileira, incluindo projetos sociais voltados para educação de meninas e programas de estágio para pessoas de baixa renda. No país a companhia emprega mais de 700 colaboradores, dos quais 52,4% são mulheres. A operação contempla a fábrica em Barueri (SP), o escritório na capital paulista e um centro de distribuição em Varginha (MG).
A relação entre Daiichi-Sankyo e Brasil
A história que trouxe uma farmacêutica japonesa ao Brasil começou nos anos 90, quando a companhia adquiriu a alemã Luitpold-Werk, que já fabricava medicamentos no país desde 1962.
Desde então, essa relação vem se intensificando. “Entre os marcos estão a reinauguração da planta de Barueri em 2010 e, mais recentemente, a operação conjunta entre a Daiichi e o Ministério Público para a rápida aprovação e importação do fomepizol, antídoto utilizado durante a crise do metanol”, ressalta Gonçalves.
Expansão da fábrica da Daiichi-Sankyo é aposta no Brasil
O novo investimento reflete a crescente importância que o país vem adquirindo no plano de negócios do grupo. Ao final de março, mês que marca o encerramento do ano fiscal japonês, a companhia deve superar a marca de R$ 2,5 bilhões em vendas no Brasil em um ano.
O resultado corresponde a um crescimento anual médio de 42% desde 2020. Estimativas para 2026 indicam vendas próximas de R$ 2,9 bilhões. Para 2030, a meta é superar R$ 5 bilhões.
Além disso, o país também recebeu o status de Tier 1 em pesquisas clínicas da farmacêutica, o que prioriza a entrega de lançamentos da companhia no mercado brasileiro. “A classificação também permite a realização de testes comparativos com medicamentos ainda não disponíveis no setor público, beneficiando todos os participantes dos estudos, independentemente do grupo em que estejam inseridos”, conclui.