Memed mira R$ 100 milhões em receita neste ano
Plataforma de prescrições digitais operou no vermelho por 14 anos
por César Ferro em
Após um início complexo, a Memed atingiu o breakeven em junho de 2025. Operando com lucro, a plataforma de prescrições digitais já mira a primeira centena de milhões até o fim do ano. As informações são do Bloomberg Línea.
Segundo Rodolfo Chung, CEO da companhia, a estimativa é que, mantendo o ritmo, a empresa feche o ano com R$ 100 milhões em receita. E a mudança no modelo de negócio foi um passo vital para essa virada de jogo.
Fundada em 2010, a Memed detém até 70% do mercado de receitas médicas virtuais no Brasil. Apesar de tamanha robustez, a plataforma só decolou após se tornar também um canal de publicidade para a indústria farmacêutica.
Memed conta com base ativa de mais de 150 mil médicos
Com uma base de mais de 150 mil profissionais de saúde, a plataforma se tornou um espaço estratégico para a propaganda médica. Quando o prescritor acessa o sistema para emitir a receita, ele é exposto a anúncios e informações sobre novos medicamentos e seus benefícios.
Em linha com o objetivo de aumentar a receita, a companhia também pretende avançar nos cadastros médicos. O objetivo é chegar a 200 mil profissionais ainda em 2026.
A título de comparação, o estudo Demografia Médica 2025 apontava a possibilidade de o País somar 635 mil médicos até o fim do ano passado. Caso chegue à cifra, a empresa estaria em contato com cerca de 30% da categoria.
“Nos Estados Unidos, 20% da verba de propaganda médica já é digital. No Brasil, estimamos 1%”, argumenta. Não há um dado concreto, mas análises indicam que a indústria farmacêutica brasileira gasta cerca de R$ 12 bilhões por ano em propaganda médica. “É nessa hora de grandeza o potencial que temos para crescer. Nós estamos só no começo aqui”, completa.
Equipe e investimentos crescerão em ritmo similar
Para absorver a demanda gerada pelo crescimento, a Memed deve contratar cerca de 50 novos profissionais, fechando o ano com aproximadamente 180 colaboradores. “Do breakeven para cá, saímos de 90 para 130 (funcionários)”, afirma Chung. As contratações serão focadas em profissionais de tecnologia e produtos.
Em paralelo, o executivo afirmou que a plataforma irá investir R$ 30 milhões a mais na comparação com o ano passado no desenvolvimento de soluções complementares. A ideia é completar a jornada do tratamento, permitindo que o prescritor acompanhe se o paciente está mantendo a terapia.
Mercado pode crescer seis vezes em breve
Uma possível explicação para a primeira década desafiadora da companhia passa pelo quão analógico o mercado de prescrições ainda é. Estima-se que apenas 15% das receitas passem por sistemas como o da empresa; o grosso ainda é físico ou, quando já digitalizado, é compartilhado por e-mail, em formatos como Word ou PDF.
“Estimamos um bilhão de prescrições por ano no Brasil. Quando isso virar 100% digital, o mercado da Memed pode crescer mais de seis vezes”, opina o executivo. Segundo ele, a plataforma processa 100 milhões de receitas atualmente.
Plataforma foi comprada por R$ 300 milhões
Em 2021, a companhia foi comprada pela DNA Capital, gestora brasileira especializada em negócios de saúde, por R$ 300 milhões. Até então, a operação era conduzida pelos fundadores, Rafaele Ricardo Moraes.
Com a aquisição, investidores como Redpoint eVentures, Monashees e Qualcomm Ventures também saíram do negócio. Dessas gestoras, partiram aportes de R$ 33 milhões.