Canal farma supera R$ 272 bilhões impulsionado pelo GLP-1
Estudo destaca o boom das canetas emagrecedoras, o avanço contínuo dos não medicamentos e acende alerta para a concorrência com supermercados
por Ana Claudia Nagao em
O mercado farma continua a demonstrar resiliência e forte expansão. Segundo levantamento da Close-Up International, o faturamento total do setor atingiu R$ 272,9 bilhões (em reais desconto) nos últimos 12 meses até janeiro de 2026. O crescimento foi de 12,2% em relação ao mesmo período de 2025, que registrou R$ 243,2 bilhões.
O avanço em volume foi de 2,1%, com salto de 9,8 bilhões de unidades para 10 bilhões no mesmo intervalo. “O grande motor desse desempenho continua a ser a farmácia, que concentra 63,2% da receita total e 85,1% das medicamentos e produtos de OTC comercializados no país, enquanto o canal hospitalar foi o único a registrar queda em volume (-0,9%)”, explica o consultor Paulo Paiva, durante apresentação no Abradilan Conexão Farma.
Evolução do mercado farmacêutico por canal
(em R$ desconto)

Com faturamento de R$ 172,5 bilhões no varejo, o setor farmacêutico convive com uma forte dependência das grandes redes, que hoje abocanham praticamente metade de todo o montante que circula nos PDVs, com 49,6% de participação em valores. Em volume, essas empresas também dominam, respondendo por 43,5% das unidades vendidas.
Paralelamente, o canal digital também vem sendo o protagonista de uma expansão acelerada, registrando taxas de crescimento impressionantes de 35,5% no período. Em unidades, a evolução chegou a 27,4%
“A evolução histórica comprova esse avanço. Em 2022, o digital representava apenas 4,8% do faturamento e 1% do volume. Hoje, já responde por 9,3% das receitas e 3% das unidades comercializadas em todo o canal farma”, reforça Paiva.
Na ponta oposta, as farmácias independentes vêm perdendo espaço sistematicamente. A participação desse subcanal no faturamento encolheu de 19,5% (em 2022) para 16,1% (em 2026). O volume de unidades vendidas pelas independentes está no vermelho, com retrações de -2,3%. O mesmo cenário de retração em unidades atinge as pequenas e médias redes. As farmácias associativistas se mantêm como a segunda maior força do mercado, garantindo 20,8% do faturamento e 26,7% do volume.
Análise por subcanal farmácia

Mercado farma celebra a era de ouro do GLP-1
O mercado de medicamentos de prescrição consolidou-se como pilar do varejo farmacêutico, representando 55,2% de todo a receita (R$ 95,3 bilhões).
O grande destaque clínico e financeiro fica a cargo dos agonistas de GLP-1 (medicamentos para diabetes e obesidade). Essa classe terapêutica apresentou uma evolução de 113,9% em faturamento. “Esse fenômeno reconfigurou o ranking de produtos e laboratórios no qual das 20 marcas que mais faturam no varejo, dez são indicadas para diabetes e/ou obesidade, movimentando aproximadamente R$ 10 bilhões”, finaliza Paiva.
Top 20 marcas do mercado de prescrição
| Posição | Marca | Faturamento Bilhões |
| 1 | Mounjaro | R$ 4,9 |
| 2 | Wegovy | R$ 3,0 |
| 3 | Forxiga | R$ 2,5 |
| 4 | Ozempic | R$ 1,4 |
| 5 | Rybelsus | R$ 1,1 |
| 6 | Glifage XR | R$ 1,0 |
| 7 | Selozok | R$ 0,5 |
| 8 | Puran T4 | R$ 0,5 |
| 9 | Glyxambi | R$ 0,5 |
| 10 | Botox | R$ 0,5 |
| 11 | Jardiance | R$ 446,3 |
| 12 | Xigduo XR | R$ 410,9 |
| 13 | Venvanse | R$ 401,6 |
| 14 | Alenia | R$ 375,2 |
| 15 | Dexilant | R$ 375,1 |
| 16 | Entresto | R$ 333,0 |
| 17 | Torsilax | R$ 332,6 |
| 18 | Trezete | R$ 330,4 |
| 19 | Edistride | R$ 327,7 |
| 20 | Prolopa BD | R$ 323,2 |
As marcas Mounjaro, da Lilly, Wegovy, da Novo Nordisk, e Forxiga, da AstraZeneca, lideram o ranking. O impacto desse segmento foi tão agressivo que a Lilly registrou um salto astronômico de 697% em crescimento, embora NC Farma (R$ 9 bilhões), Eurofarma (R$ 8,5 bilhões) e Novo Nordisk (R$ 6,2 bilhões) são as corporações com maior faturamento geral nesse segmento.
Top 10 corporações do mercado de prescrição
| Corporação | Faturamento (R$ Desconto) | Crescimento |
| NC Farma | R$ 9,0 Bi | 10,5% |
| Eurofarma | R$ 8,5 Bi | 12,0% |
| Novo Nordisk | R$ 6,2 Bi | 8,6% |
| Lilly | R$ 5,6 Bi | 697,0% |
| Aché | R$ 5,5 Bi | 11,1% |
| Hypera Pharma | R$ 4,4 Bi | 9,6% |
| AstraZeneca | R$ 4,1 Bi | 41,5% |
| Sanofi | R$ 3,2 Bi | 9,6% |
| Libbs | R$ 2,9 Bi | 6,7% |
| Biolab | R$ 2,8 Bi | 15,2% |
| Outros | R$ 43,1 Bi | 8,5% |