Abismo de patentes levará à perda de US$ 230 bilhões até 2030
Segundo estudo do Drug Discovery News, exclusividade de importantes medicamentos chegará ao fim em 2026
por César Ferro em
O fim das patentes de importantes medicamentos não deve impactar somente o mercado brasileiro. Segundo estudo do portal Drug Discovery News, o canal farma global sofrerá com esse fenômeno até o fim deste década.
De acordo com a publicação, 2026 já marca o início dessa queda que, apenas nos Estados Unidos, pode resultar na perda de mais de US$ 230 bilhões (cerca de R$ 1,2 trilhão) em receita entre 2025 e 2030.
Quais farmacêuticas estarão mais expostas ao abismo das patentes?
Bristol Myers Squibb, MSD e Pfizer serão os laboratórios mais afetados pelas perdas de exclusividade em 2026. Fármacos como Januvia, Janumet, Janumet XR, Xeljanz e Eliquis terão patentes expirando e, juntos, respondem por mais de US$ 5 bilhões (R$ 26,2 bilhões) em vendas anuais, segundo o DrugPatentWatch.
Januvia
Fabricante: MSD
Princípio ativo: Sitagliptina
Indicação: Diabetes tipo 2
Lançado em 2006, o Januvia (sitagliptina) foi um dos primeiros inibidores da DPP-4 aprovados para o tratamento do diabetes tipo 2. Na época, o medicamento da MSD apresentava um perfil de segurança e tolerabilidade diferenciado em comparação com as terapias mais antigas, o que ajudou a explicar seu sucesso comercial. Mesmo com o surgimento dos agonistas de GLP-1 e dos inibidores de SGLT2, continuou sendo amplamente prescrito, principalmente para pacientes que preferiam a terapia oral.
A farmacêutica registrou vendas globais robustas, totalizando mais de US$ 2 bilhões (R$ 10,5 bilhões) em 2023. No entanto, quando surgirem versões genéricas do princípio ativo, o montante deve diminuir rapidamente. Para amenizar os impactos, o laboratório firmou acordos com 25 fabricantes para que estas lancem suas versões em maio, enquanto a companhia redireciona o foco para categorias, como oncologia, vacinas e cardiometabolismo.
Janumet e Janumet XR
Fabricante: MSD
Princípio ativo: Combinação de sitagliptina e metformina
Indicação: Diabetes tipo 2
O desafio da MSD em diabetes não se encerra com a perda de exclusividade do Januvia. Ainda em 2026, a farmacêutica também perderá a exclusividade sobre o Janumet e Janumet XR, ambos combinações de sitagliptina e metformina. Em 2023, os medicamentos geraram aproximadamente US$ 1,43 bilhão (R$ 7,5 bilhões) em vendas combinadas.
Patente do Keytruda também expira em breve
Em 2028, o blockbuster Keytruda (pembrolizumabe), atualmente o medicamento mais vendido do mundo, perderá a proteção da patente.
Xeljanz (H3)
Fabricante: Pfizer
Princípio ativo: Citrato de tofacitinibe
Indicação: Artrite reumatoide, artrite psoriásica e colite ulcerativa
O Xeljanz foi o primeiro inibidor da Janus quinase aprovado para a artrite reumatoide e, posteriormente, para a artrite psoriásica e a colite ulcerativa. A administração oral o diferenciou dos medicamentos biológicos injetáveis. Em 2024, gerou US$ 1,1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) em vendas, já indicando queda em relação aos picos anteriores, embora sustente relevância no portfólio da Pfizer.
Eliquis
Fabricante: Bristol Myers Squibb (BMS) e Pfizer
Princípio ativo: Apixabana
Indicação: Anticoagulante para a redução do risco de acidente vascular cerebral e coágulos sanguíneos
Comercializado em conjunto pela BMS e Pfizer, é um dos medicamentos mais indicados para reduzir o risco de acidente vascular cerebral e coágulos sanguíneos em pacientes com fibrilação atrial e outras doenças cardiovasculares. Apesar da parceria, a Pfizer deve ser a mais prejudicada.
O medicamento é especialmente importante para o portfólio do laboratório e, ao lado do Opdivo (nivolumabe) – que também está próximo do fim da exclusividade – representa quase metade do lucro total da companhia. Segundo analistas, cerca de US$ 38 bilhões (R$ 199,8 bilhões) em receita futura estão em risco.
No Brasil, patente do Ozempic chegou ao fim
Nesta sexta-feira, dia 20, chegou ao fim a exclusividade da Novo Nordisk para produzir medicamentos à base de semaglutida. O princípio ativo está presente em sucessos de vendas como Ozempic, Rybelsus e Wegovy.
Com o encerramento da patente, farmacêuticas prometem entrar de forma mais agressiva na disputa desse segmento por meio de genéricos ou similares. Com o aumento da concorrência, a expectativa é que os preços caiam, principalmente por causa dos genéricos, por regra, devem custar ao menos 35% menos que os de referência.