Como preparar a farmácia para os meses mais frios do ano?
Análise de picos de vendas ajuda a definir compras estratégicas para outono e inverno
por César Ferro em
O verão chegou ao fim. E a temporada outono-inverno inaugura um período de novas demandas para o varejo farmacêutico, impulsionadas por mudanças no comportamento do consumidor e no perfil de saúde da população.
Nesta época do ano, cresce a procura por medicamentos como antigripais e suplementos voltados à imunidade, como a vitamina C. Para que a farmácia aproveite ao máximo as oportunidades sazonais, é fundamental investir em análise de dados e planejamento estratégico. Nesse contexto, contar com informações acessíveis em tempo real faz toda a diferença.
Primeiro passo é levar a farmácia ao divã
Para começar a desenhar a estratégia da próxima estação, é necessário olhar para o passado. Analisar dados de compras e vendas do último ano é determinante e, quanto mais robusto for o banco de dados, mais precisas serão as conclusões.
“Aferindo as vendas como um todo, será possível estabelecer quando a demanda por um produto esteve acima da média e identificar sua sazonalidade”, explica Oscar Ferauche, product owner do Cosmos Pro, divisão de negócios da Procfit.
Embora o inverno ocorra em todo o Brasil, é fundamental que essa análise seja individualizada, já que características de cada loja podem influenciar o comportamento de consumo. Farmácias localizadas em shopping centers, por exemplo, tendem a vender mais itens de conveniência e HPC, enquanto aquelas situadas em bairros podem registrar maior procura por medicamentos de referência ou genéricos, conforme o poder aquisitivo da região.
Olhar para dentro, sem esquecer o mercado
Apesar de defender que o estudo de dados deve considerar o desempenho da própria loja, o executivo não descarta o uso de análises generalistas de mercado. Para ele, essas informações são especialmente úteis para gestores que ainda não construíram um histórico de vendas, além de ajudarem a identificar tendências que podem ter passado despercebidas na última temporada.
“Considerar dados externos é importante para que o planejamento não se baseie apenas na sazonalidade daquela farmácia e esteja alinhado ao mercado”, afirma.
Antecipação de compras é ponto-chave
Após identificar os produtos de maior demanda no período, é hora de agir. O gestor não deve esperar a chegada do frio para comprar esses itens. O ideal é antecipar a aquisição.
“Se o comprador agir muito próximo do pico da demanda, os produtos podem não chegar em tempo e o próprio atacado também lidará com uma procura maior, o que inflará o custo”, alerta o especialista.
Recomenda-se que os pedidos sejam feitos com um ou dois meses de antecedência. Dessa forma, além de garantir melhores condições de mercado,
o risco de ruptura é significativamente reduzido.
Tecnologia é parceira da previsibilidade
A tecnologia é essencial para garantir análises eficientes e assertivas. Basta imaginar a dificuldade de conferir nota por nota e calcular o volume de vendas mensal de cada produto. No entanto, seu papel vai além dessa automatização.
A plataforma Indicadores Comerciais, do Cosmos Pro, coleta dados diretamente do ERP e gera dashboards padronizados ou personalizados conforme as necessidades do gestor. Recentemente, a Procfit atualizou o sistema e passou a oferecer gráficos baseados em datalakes, que podem reunir indicadores da operação e do mercado e ser analisados por inteligência artificial. Com isso, as previsões passam a ser realizadas automaticamente.
Além disso, quando equipados com ferramentas de Business Intelligence, esses dashboards podem emitir alertas proativos aos compradores, sinalizando a sazonalidade iminente e comparando o desempenho da farmácia com um cluster de mercado composto por empresas de porte similar.