Social seller ganha relevância no e-commerce
Levantamento mostra que quem começa vendendo pelas redes sociais acelera resultados e pressiona empresas a reverem estratégia digital
por Leandro Luize em
Uma pesquisa da consultoria Loja Integrada com 4.580 empresários que gerenciam plataformas próprias de e-commerce traz lições diretas para o varejo farmacêutico. Segundo o levantamento, 47,6% dos que realizaram a primeira transação em até 15 dias já mantinham vendas anteriormente pelo Instagram ou WhatsApp. Entre os que começaram do zero, esse índice cai para 28,6%.
O dado reforça uma virada importante. A jornada não começa mais na estrutura, mas na validação. Antes da loja virtual vem a audiência, o que altera a lógica de entrada e crescimento no comércio digital.
Da audiência à conversão
O estudo evidencia a ascensão do chamado “social seller”, empreendedor que constrói comunidade antes de estruturar a operação. Diferentemente do modelo tradicional, baseado em mídia paga e planejamento robusto, esse perfil prioriza relacionamento, engajamento e testes rápidos.
Esse movimento ocorre em paralelo à pressão sobre custos de aquisição e à perda de margem em marketplaces. Nesse cenário, a construção de base própria se torna um ativo estratégico. “O empreendedor digital que dá certo hoje não é aquele que planejou melhor, e sim o que conquistou uma rede de engajamento antes de movimentar as vendas online”, afirma Lucas Bacic, CEO da Loja Integrada.
Para o varejo farmacêutico, o recado é claro. A presença digital precisa ir além do canal de venda e evoluir para a construção de comunidade, especialmente em categorias de alto engajamento como bem-estar e suplementação.
Gargalos operacionais travam crescimento
Se por um lado a entrada no digital ficou mais ágil, por outro os desafios de gestão seguem relevantes. Cerca de 40% dos lojistas criaram lojas virtuais para automatizar processos como frete, pagamento e organização de pedidos que antes chegavam via mensagens diretas.
A informalidade ainda predomina, pois 56% utilizam planilhas ou até cadernos para controlar vendas. Além disso, 64% gerenciam o negócio pelo celular, o que reforça a necessidade de soluções mobile-first.
Outro ponto crítico é o investimento inicial. Entre lojistas que aplicaram mais de R$ 5 mil, 11,7% realizaram a primeira venda em até 15 dias. O índice despenca para 1,5% entre aqueles com aportes de até R$ 1 mil.
Oportunidades para o varejo farmacêutico
Os segmentos mais presentes entre os novos lojistas – fitness e suplementos (30%), moda (25%) e alimentos e bebidas (15%) – indicam forte aderência a categorias de consumo recorrente e alta influência nas redes sociais.
Para farmácias, o avanço desse modelo abre três frentes estratégicas:
- fortalecimento da presença em canais sociais como origem de demanda
- integração entre atendimento digital e operação logística
- uso de tecnologia para automatizar processos e escalar vendas
“Na prática, o social seller não substitui o varejo estruturado, mas redefine a forma como o consumidor descobre, confia e compra”, conclui Bacic.