Maiores farmacêuticas do Brasil sustentam 3/4 do faturamento do setor
Apesar de concentração estar em linha com os últimos anos, estudo da IQVIA mostra avanço recente
por César Ferro em
Nos últimos 12 meses até março deste ano, as 50 maiores farmacêuticas atuantes no Brasil movimentaram R$ 209,2 bilhões. No entanto, a alta concentração segue como uma característica marcante no setor.
Segundo o Flash PMB Mercado Farmacêutico Brasil, realizado pela IQVIA, as 20 principais corporações do setor somam receitas de R$ 163,8 bilhões no período, o equivalente a 78,3% do total.
20 protagonistas para 30 coadjuvantes?

Concentração de faturamento nas maiores farmacêuticas não é de hoje
A pesquisa também traz uma análise comparativa dos resultados do top 50 nos últimos cinco anos. Desde 2022, a concentração tem sido constante, com intensificação mais evidente a partir do ano passado. Confira na tabela abaixo.
| MAT 3/2022 | MAT 3/2023 | MAT 3/2024 | MAT 3/2025 | MAT 3/2026 | |
| Faturamento top 50 (em bilhões) | R$ 127,66 | R$ 148,37 | R$ 161,68 | R$ 182,25 | R$ 209,28 |
| Faturamento top 20 (em bilhões) | R$ 95,84 | R$ 111,91 | R$ 122,29 | R$ 139,94 | R$ 163,89 |
| Concentração (%) | 75% | 75,42% | 75,63% | 76,78% | 78,31% |
Outro ponto destacado pelo levantamento é o avanço das principais corporações do setor. Em 2024, o faturamento do top 50 foi de R$ 161,6 bilhões – valor inferior ao registrado atualmente apenas pelas 20 maiores empresas, que somam R$ 163,8 bilhões.
Agonistas de GLP-1 seriam os grandes protagonistas?
Uma possível explicação para esse avanço está na popularização dos agonistas de GLP-1. Medicamentos à base de semaglutida (Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro e Zepbound), popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, tiveram forte crescimento de demanda a partir de 2024, o que se reflete nos resultados de suas fabricantes.
Entre o MAT 3/2022 e o MAT 3/2025, o faturamento da Novo Nordisk apresentou crescimento constante, passando de R$ 3,4 bilhões para R$ 7,2. Porém, com o avanço da Eli Lilly nos últimos 12 meses, a farmacêutica registrou retração de 4,6% no período mais recente, com receita de R$ 6,9 bilhões.
Já o laboratório norte-americano apresentou um avanço expressivo no levantamento mais recente. Ausente do top 50 nas quatro edições anteriores, a companhia cresceu 910%, alcançando a sétima posição no ranking geral, com receita de R$ 7,3 bilhões.
“As maiores farmacêuticas, de modo geral, vêm conseguindo evoluir na casa de dois dígitos por estarem fazendo um bom trabalho de conjugação da inteligência competitiva e gestão acurada do portfólio, com aposta em medicamentos e produtos inovadores’’, ressalta o consultor independente Cesar Bentim.
O movimento das multinacionais em nível global, que se estende ao mercado brasileiro, ajuda a explicar a concentração. “As fabricantes estrangeiras reforçaram o olhar sobre medicamentos de especialidades com maior valor agregado, se desfazendo de produtos maduros. Com isso, reforçaram suas receitas e ao mesmo tempo abriram um nicho para os laboratórios brasileiros”, comenta Henrique Tada, diretor executivo da Alanac.
O de cima desce e o de baixo sobre (muito)
Evolução do faturamento em bilhões de Reais entre 2024 e 2026 (MAT 3)
