Jovem empreendedora acumula faturamento superior a R$ 15 milhões
Juliana de Andrade abriu sua primeira farmácia aos 19 anos e hoje comanda quatro PDVs no interior do Paraná
por César Ferro em
Natural de Rio Azul, cidade no centro-sul do Paraná, a jovem empreendedora Juliana de Andrade é a prova de que nunca é cedo demais para sonhar. O dito popular não está errado. A empreendedora abriu sua primeira farmácia com apenas 19 anos de idade, quando ainda cursava a faculdade.
No quinto episódio da temporada de 2026 do Minha História, contamos a trajetória dessa empresária que, apesar de recém-chegada aos 30 anos, já gerencia quatro unidades com faturamento anual de R$ 15 milhões.
Jovem empreendedora e sua identificação com a saúde
Filha de mãe professora e pai mecânico, nossa personagem sempre se identificou com a área da saúde. Ainda no ensino médio, decidiu que deveria cursar odontologia ou farmácia.
Ao prestar vestibular, chegou a ser aprovada em uma universidade particular. No entanto, como a família não tinha condições de arcar com os custos, seguiu nas tentativas de ingressar em instituições públicas. Em 2013, conquistou uma vaga na Unicentro em Guarapuava (PR), a cerca de 150 quilômetros de distância. Foi nessa época que conheceu seu atual marido, Elvis Martins.
“Por um ano mantivemos um relacionamento a distância, já que eu havia me mudado para Guarapuava. Com o tempo, essa opção desgastou nosso namoro. Ele me pediu para voltar a Rio Azul e eu aceitei a proposta”, relembra.
Curiosidade levou à demissão no primeiro emprego
Para voltar à cidade natal, Juliana precisou transferir o curso para uma faculdade particular em União da Vitória (PR). “Mas minha mãe deixou bem claro: eu poderia voltar para casa, mas precisaria trabalhar no contraturno para ajudar nos custos”, conta.
Por isso, a estudante buscou um emprego na área e começou a trabalhar em uma pequena farmácia da região. Todos os dias acordava de madrugada, percorria mais de 100 quilômetros e, à tarde, seguia para o trabalho até a noite.
A convivência na loja despertou sua curiosidade pelos bastidores, mas esse interesse não agradou ao proprietário. Após apenas oito meses de empresa, ela foi demitida. O que para muitos seria um obstáculo foi visto como uma oportunidade. “Assim que recebi minha rescisão, entendi que aquela era a chance de investir no próprio negócio”, afirma.
Família empreendedora acreditou no sonho
Martins e sua mãe, Izabel Knaut, têm origem em uma família empreendedora, com atuação no varejo alimentar. Ao conhecerem os planos de Juliana, não hesitaram em apoiá-la. “Assim que soube que eu queria abrir uma farmácia, minha sogra cedeu um espaço no supermercado da família para que eu pudesse começar”, conta. Foi em uma sala com menos de 50 m² que o sonho ganhou forma.
Porém, abrir uma farmácia não é simples. Enquanto preparava o espaço e adquiria os primeiros produtos, a farmacêutica buscou um novo emprego. Durante quatro meses usou a experiência como um verdadeiro “laboratório”, estudando fornecedores e os medicamentos mais demandados da região. Em 2015, com apenas 19 anos, tornou-se empreendedora e deu início a uma trajetória de sucesso

Ser gestora e estudante impôs restrições pessoais
Apesar de já estar à frente da farmácia, Juliana ainda não era formada. Dividia-se entre os estudos e a gestão do negócio, dedicando-se à operação durante as tardes e noites da semana e também aos fins de semana. “Por muitas vezes abri mão de passar tempo com meus familiares em festas, aniversários e encontros aos fins de semana para manter meu negócio de pé”, relembra, emocionada.
Outro desafio era a liderança. Ainda muito jovem, precisava comandar uma equipe com profissionais mais experientes, o que tornava a tarefa ainda mais complexa.
Parceiros comerciais indicaram o associativismo
Os quatro anos seguintes à inauguração foram intensos. Em 2017 Juliana se formou farmacêutica e, em 2019, surgiu a oportunidade de mudar para um ponto maior. O supermercado da família Martins passaria por uma expansão e, mais uma vez, em decisão familiar, foi destinado um espaço mais amplo para a operação. Com faturamento mensal em torno de R$ 100 mil, a empreendedora percebeu que era o momento de dar um passo além. A indicação veio por meio de um parceiro de negócios da Metalfarma, fabricante de mobiliários especializados para o varejo farmacêutico e que atua junto à Farmarcas.
A nova unidade já foi inaugurada sob uma das bandeiras associativistas do agrupamento – a AC Farma – e os resultados impressionaram. No primeiro dia, as vendas igualaram o faturamento mensal da primeira loja.

Expansão une oportunidade e estratégia
Após quase cinco anos de parceria, quando o Martins Supermercado decidiu expandir para a cidade vizinha de Rebouças (PR), a pouco mais de 20 quilômetros, a abertura de uma nova unidade da AC Farma já estava nos planos. Uma coincidência muito feliz mudaria os planos.
“Em 2020 planejávamos abrir a segunda farmácia em Rebouças, mas uma concorrente nos procurou e oficializou o interesse em vender sua loja em Rio Azul. O ponto era muito estratégico e, mesmo fora do nosso planejamento inicial, não desperdiçamos essa oportunidade”, afirma.
Algo parecido aconteceria quatro anos depois, quando rumores de uma segunda unidade em Rebouças foram o motor para que um novo PDV se tornasse realidade. Atualmente a rede conta com quatro farmácias que, juntas, empregam 30 colaboradores.
Dez lojas, novas praças e olhar aguçado
Para os próximos cinco anos, Juliana quer chegar ao número de dez farmácias, com foco em novas praças. Para tanto, ela seguirá aplicando a receita de sucesso utilizada até então – a conveniência de farmácias anexas a mercados e o olhar atento para as oportunidades de aquisição.
“Com o apoio da Farmarcas, não estou mais sozinha nessa jornada. Se antes eu precisava abrir mão do tempo com a família para fazer o negócio prosperar, hoje posso ajudar a realizar os sonhos dos meus pais”, finaliza, contendo as lágrimas.
