ABRADIMEX e MJSP discutem cooperação contra roubo de cargas
Entidade intensifica diálogo com autoridades e chama atenção para riscos
por César Ferro em
Um acordo de cooperação entre a ABRADIMEX e o governo federal pode ser o próximo passo para enfrentar o avanço do roubo de cargas de medicamentos no país. Em reunião realizada no último dia 9 com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a entidade discutiu medidas concretas para mitigar os impactos desse tipo de crime.
O encontro contou com a participação de Paulo Maia, presidente executivo da associação; do delegado Getúlio Monteiro, coordenador de combate ao crime organizado da Senasp; e dos delegados André Gossain e Paulo Reyner. Entre as propostas discutidas estão estratégias de combate à receptação e ações para o enfraquecimento financeiro de organizações criminosas.
Como encaminhamento, foi sugerida a realização de uma visita institucional à Confederação Nacional do Transporte, com foco na troca de experiências e no aprimoramento de práticas logísticas.
“A saúde dos brasileiros está em xeque, o que exige soluções que realmente contribuam para a segurança da cadeia de distribuição de medicamentos e para a garantia do abastecimento aos pacientes”, enfatiza Maia.
Roubo de cargas gerou R$ 283 milhões em perdas
Dados apresentados pela ABRADIMEX indicam que o roubo de cargas de medicamentos gerou perdas de R$ 283 milhões em 2024. Os indicadores de 2025 ainda devem ser consolidados neste semestre.
Embora represente cerca de 2% do total de cargas roubadas no Brasil, o segmento farmacêutico se destaca pelo alto valor agregado dos produtos e pela complexidade logística envolvida, especialmente no transporte de remédios que exigem controle rigoroso de temperatura.
Estudos conduzidos pelas consultorias Deloitte e Overhaul mostram que 52% dos especialistas em risco projetavam aumento dessas ocorrências em 2025.
O impacto financeiro também é relevante. O custo do frete em áreas de risco subiu entre 5% e 10%, enquanto os gastos com seguros chegaram a dobrar em algumas empresas.
Como resposta, todas as 20 distribuidoras associadas ampliaram os investimentos em segurança, com a adoção de veículos blindados, escolta armada e tecnologias de monitoramento. Essas companhias viabilizam, anualmente, a entrega de 91 milhões de medicamentos e insumos a 18 mil instituições de saúde.
Mercado paralelo também preocupa
A entidade também chama atenção para um efeito paralelo ao aumento dos roubos: o possível desvio de medicamentos para canais de comercialização sem o devido controle e fiscalização.
A preocupação recai especialmente sobre os remédios de alto custo vendidos a preços significativamente abaixo da média de mercado, o que pode indicar falhas na cadeia ou riscos associados à origem dos produtos, incluindo falsificação ou armazenamento inadequado.
Nesse contexto, a entidade adota uma postura cautelosa ao abordar a atuação de marketplaces e outros ambientes digitais, destacando a necessidade de reforçar mecanismos de rastreabilidade e garantir a procedência dos produtos ofertados.
O presidente também defende a regulamentação da venda no ambiente virtual e o aumento da fiscalização por parte da própria indústria, além de incentivar que compradores adotem práticas rigorosas de controle de fornecedores.
“O objetivo é assegurar que pacientes, hospitais e clínicas tenham acesso a produtos seguros, íntegros e dentro dos padrões exigidos pela indústria e pelas autoridades sanitárias”, afirma.
Distribuidoras associadas movimentaram R$ 42 bi
As 17 companhias que integravam a associação em 2025 atingiram cifras recorde. Juntas, somaram faturamento de R$ 42 bilhões, o que representa 73,7% da receita total do setor de medicamentos de especialidades. O crescimento foi de 11,6% na comparação com 2024 e de 35% no acumulado de dois anos.