Descarte de medicamentos avança e impõe desafios
“Gestão adequada de resíduos de medicamentos não é mais só pauta ambiental”, José Agostini Roxo / Foto: Magnific – ntmpersonal
Foi-se o tempo em que falar sobre logística reversa nas farmácias era apenas uma questão ambiental. Desde a publicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS 12.305) e sua regulamentação pelo Decreto Federal nº 10.388, a prática passou a ser obrigatória.
“A gestão adequada de resíduos de medicamentos não é mais apenas uma pauta ambiental; é parte integrante da agenda estratégica do varejo farmacêutico”, afirma José Agostini Roxo, sócio-diretor da BHS – Brasil Health Service e especialista do Panorama Farmacêutico na área. A avaliação se confirma com o avanço da regulamentação e a ampliação dos programas de coleta, que colocam farmácias e drogarias em posição central nessa cadeia.
Medicamentos em desuso demandam atenção especial
O descarte inadequado – prática ainda comum no país – pode gerar consequências relevantes para o meio ambiente e para a saúde pública. As substâncias químicas presentes nos medicamentos podem contaminar o solo, a água e até a atmosfera, afetando ecossistemas e cadeias produtivas.
Mesmo antes de serem descartados, quando armazenados de forma inadequada, os remédios representam riscos. “A ingestão indevida está entre as principais causas de intoxicação, especialmente entre crianças, o que reforça a necessidade de as farmácias atuarem ativamente no recolhimento”, alerta.
Decreto aumentou a responsabilidade das farmácias na logística reversa
A implementação da PNRS consolidou diretrizes para o descarte correto de medicamentos domiciliares vencidos ou em desuso. A norma prevê a estruturação de sistemas de coleta, com pontos acessíveis à população em municípios com mais de 100 mil habitantes.
“Na prática, isso exige do varejo adequações físicas e operacionais, incluindo a instalação de coletores apropriados, a orientação ao consumidor e a integração com os operadores logísticos responsáveis pelo transporte e pela destinação final dos resíduos”, explica.
De acordo com Roxo, o ponto de venda exerce papel decisivo no sucesso do sistema, já que a farmácia é o principal elo entre o consumidor e a destinação ambientalmente adequada dos medicamentos.
Canal farma deve atuar de forma integrada
A logística reversa envolve diferentes agentes do setor, da indústria às farmácias. Assim como na cadeia de distribuição tradicional, em que o fabricante depende do distribuidor para levar o produto ao ponto de venda, o mesmo ocorre no momento do descarte.
“Por isso, é fundamental contar com parceiros que integrem todas as etapas, com rastreabilidade e conformidade ambiental”, destaca. Empresas como a BHS atuam de ponta a ponta, desde a instalação de coletores até a destinação final dos resíduos, além de capacitar as equipes de loja.
Sustentabilidade também fortalece marcas
Além da conformidade regulatória, a adesão a programas de logística reversa abre espaço para ações de marketing ambiental. A presença de coletores nas lojas, campanhas educativas e comunicação com o consumidor reforçam o posicionamento sustentável da operação.
“Essas iniciativas também contribuem para relatórios ESG, acesso a financiamentos e fortalecimento da relação com stakeholders”, afirma o sócio-diretor. “O varejo farmacêutico terá papel determinante na consolidação da logística reversa no país não apenas como ponto de coleta, mas como agente ativo na educação e na transformação do comportamento do consumidor”, conclui.