Ator associa ivermectina à cura do câncer e prescrição dispara nos EUA
Em janeiro do ano passado, o ator Mel Gibson afirmou que três amigos teriam se recuperado de câncer em estágio avançado após utilizarem o medicamento
por Adriana Bruno em e atualizado em
A afirmação do ator Mel Gibson de que três amigos teriam se recuperado de câncer em estágio avançado após fazerem uso de ivermectina provocou uma verdadeira corrida pelo medicamento nos Estados Unidos. A declaração foi dada em janeiro de 2025 e, desde então, as prescrições de ivermectina para tratamento de câncer mais que dobraram no país. A informação foi divulgada pelo Estadão e o dado faz parte de um estudo publicado pela JAMA Network Open, em 12 de maio.
Não há comprovação clínica da ação do medicamento no tratamento da doença
Apesar do otimismo com a declaração de Gibson, o estudo realizado pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) mostra que, apesar da ivermectina e de medicamentos benzimidazólicos terem demonstrado atividade anticancerígena em testes em animais e estudos laboratoriais, não houve comprovação de segurança ou eficácia em humanos.
Antiparasitário
A ivermectina já foi assunto em evidência no Brasil durante a epidemia de Covid-19, quando muitos defenderam que o medicamento seria capaz de combater o SARS-Cov-2. Porém, no país, esse medicamento é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), apenas para o tratamento de algumas infecções parasitárias, enquanto que o fenbendazol é um antiparasitário de uso veterinário.
Nem toda substância se confirma em estudos clínicos
Clarissa Badotto, oncologista clínica e presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), afirma que estudos realizados em células de laboratório ou em modelos animais representam apenas uma etapa inicial da pesquisa científica e não são suficientes para comprovar eficácia ou segurança em seres humanos. De acordo com ela, muitas substâncias que parecem promissoras em laboratório não se confirmam em estudos clínicos. “E, mesmo após alcançar a fase clínica, a chance média de chegar ao mercado costuma variar entre 5% e 10%”, diz.
A oncologista ainda alerta para o fato de que é cada vez mais comum pacientes chegarem aos consultórios fazendo referência a conteúdos vistos em redes sociais, com promessas de tratamentos alternativos.
Ela ainda destaca o papel do profissional de saúde que deve ouvir as dúvidas dos pacientes, explicar e esclarecer sobre as evidências clínicas e orientar com base em dados confiáveis.