Automação impulsiona produtividade no varejo farmacêutico
Tecnologia oferece ganhos em produtividade, rentabilidade e segurança operacional
por Gabriel Noronha em
No cenário de crescente concorrência do varejo farmacêutico, a intensa disputa pelo melhor preço e o acelerado ritmo de expansão comprimem as margens de lucro de muitas farmácias. Para manter a competitividade sem prejudicar os ganhos, a redução dos custos operacionais tornou-se uma estratégia indispensável.
Nesse contexto, a automação do estoque consolidou-se como uma solução eficiente para o varejo, estando presente em mais de 27 mil farmácias ao redor do mundo.
Segundo Giuseppe Piccoli, fundador da Ponti e Futuro e membro da equipe de Especialistas do Panorama Farmacêutico, a adoção de robôs deixou de ser uma exclusividade de grandes redes para se tornar uma ferramenta de sobrevivência e crescimento para as pequenas e médias farmácias.
“A automação não é uma moda. É um destino. Só você não sabe quando vai colocar. Mas que você vai ter na sua farmácia uma solução de automação, isso é fato”, crava o executivo.
Ganhos com a automação em farmácias tem quatro pilares
De acordo com Piccoli, a implementação de ferramentas de automação apresenta diversas vantagens, que podem ser melhor categorizadas entre quatro frentes.
Fim das perdas financeiras e otimização do espaço
A substituição das prateleiras tradicionais por armários fechados, semelhantes a cofres, permite que o armazenamento siga a lógica do giro dos produtos e da data de validade. O sistema sempre dispensa o medicamento mais próximo do vencimento e impede a venda de itens expirados, zerando as perdas por validade, um problema que costuma consumir de 2% a 3% do faturamento das lojas.
Além disso, a tecnologia otimiza o espaço aéreo, permitindo armazenar até 4 mil caixas em uma área onde antes cabiam apenas 1 mil de forma manual. Esse ganho permite ampliar a seção de autosserviço, que costuma ser a de maior lucratividade, ou transferir o estoque para uma sobreloja.
Produtividade no balcão e segurança no inventário
Com a dispensação dos medicamentos ocorrendo em menos de dez segundos, os colaboradores são liberados da atividade repetitiva de buscar e contar caixas no estoque. Esse tempo é direcionado para a venda consultiva e para a escuta ativa do cliente, permitindo que um balconista amplie em até quatro vezes sua capacidade de vendas.
A segurança também é significativamente ampliada, já que a equipe não tem acesso direto ao interior do equipamento, eliminando furtos e desvios de mercadorias.
Outro avanço operacional de destaque ocorre na realização dos inventários anuais obrigatórios. Em vez de paralisar a loja ou expor a equipe a riscos de segurança durante a madrugada, o gestor aciona a máquina para realizar a contagem de forma autônoma durante a noite, consumindo apenas a energia elétrica equivalente à de um eletrodoméstico caseiro.
Revolução no delivery e viabilidade das Dark Stores
A agilidade de algumas dessas ferramentas transforma consideravelmente os canais de entrega. Em pedidos realizados via WhatsApp, o processo completo de recepção, verificação de estoque, separação e empacotamento ocorre em menos de um minuto, o que viabiliza entregas ultrarrápidas em até 30 minutos dentro de um raio de 5 km.
Além disso, a possibilidade de operar o delivery 24 horas por dia com a farmácia fisicamente fechada e blindada, necessitando de apenas um funcionário para gerenciar os despachos de forma inteiramente segura, pode impulsionar os resultados do PDV.
Essa eficiência operacional também viabiliza a adoção do modelo de dark stores (lojas exclusivas para entregas e sem atendimento presencial), que podem ser instaladas em ruas secundárias, onde os aluguéis costumam ser mais baixos.
A quebra de paradigma em favor das pequenas farmácias
Na Europa, o movimento de automação foi iniciado e liderado justamente pelas farmácias independentes, visto que o poder de decisão concentrado nas mãos do dono garante muito mais agilidade na adoção de inovações, ao contrário da longa burocracia enfrentada pelas grandes redes.
Para o pequeno varejo brasileiro, a tecnologia tornou-se altamente acessível, com preços equiparados ao mercado europeu e parcelamentos que variam de 36 a 60 meses.
O retorno sobre o investimento (break-even) costuma ocorrer entre um ano e meio e dois anos, impulsionado pela redução de ineficiências. Para empresas enquadradas no regime de lucro real, o investimento também pode ser favorecido por benefícios tributários, como créditos de ICMS, PIS, Cofins e depreciação no imposto de renda.