Suplementos alimentares: farmácias assumem o protagonismo
Para Edison Tamascia, a forma como esses produtos são vistos pelo varejo farmacêutico mudou e de forma definitiva
Por Edison Tamascia, presidente da Febrafar e da Farmarcas
Durante muitos anos, os suplementos alimentares ocuparam um espaço relativamente restrito no varejo farmacêutico. Eram vistos como uma categoria voltada principalmente para atletas ou pessoas que buscavam melhorar o desempenho físico. Essa realidade mudou de forma significativa e, na minha avaliação, definitiva.
Hoje, os suplementos fazem parte da rotina de milhões de brasileiros e representam uma das categorias mais estratégicas para as farmácias. Mais do que acompanhar esse movimento, o varejo farmacêutico passou a liderá-lo.
A Pesquisa Nacional sobre Suplementos Alimentares 2026, realizada pelo IFEPEC (Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa), confirma essa transformação. O dado mais emblemático talvez seja o que evidencia o protagonismo das farmácias – 48% dos consumidores afirmam comprar suplementos em farmácias e drogarias, percentual muito superior ao dos marketplaces e plataformas de e-commerce (24%), supermercados (15%) e lojas especializadas (8%).
Esse resultado vai muito além de uma disputa entre canais de venda. Ele mostra que o consumidor associa a farmácia à confiança, à segurança e à orientação qualificada quando o assunto é suplementação. Esse cenário ganha ainda mais relevância quando observamos o grau de maturidade do mercado.
A pesquisa revela que 82% dos consumidores pretendem continuar utilizando suplementos nos próximos seis meses, enquanto 44% fazem uso diário e outros 21% consomem esses produtos quase todos os dias. Estamos falando de uma categoria que deixou de ser eventual para se tornar parte da rotina das pessoas.
Outro aspecto que considero relevante é a mudança no perfil do consumo. Durante muito tempo os suplementos estiveram associados quase exclusivamente ao universo esportivo. Hoje, os principais motivos para utilizá-los envolvem o aumento de energia e disposição, o complemento da alimentação e a busca por mais bem-estar pelo envelhecimento saudável. Isso demonstra que a suplementação acompanha uma tendência mundial ligada à prevenção e à longevidade.
Essa mudança também explica por que as farmácias ganharam espaço. Elas deixaram de ser apenas um local de compra para se consolidarem como ambientes de cuidado com a saúde. Os próprios consumidores deixam isso claro. Para 32%, a qualidade é o atributo mais importante na escolha de um suplemento, acima da marca e da composição. Além disso, 78,6% afirmam que não comprariam um produto mais barato se ele não oferecesse o mesmo padrão de qualidade. O preço é um fator importante, mas confiança pesa ainda mais na decisão de compra.
Ao mesmo tempo, vivemos uma nova realidade informacional. A internet, as redes sociais e as plataformas de inteligência artificial passam a integrar a jornada do consumidor. A pesquisa indica que 21% já utilizam ferramentas de IA para acessar informações sobre suplementos. Esse movimento amplia o acesso ao conhecimento, mas também aumenta a responsabilidade do setor em oferecer informações técnicas, confiáveis e baseadas em evidências.
É importante destacar que a pesquisa também revela outro aspecto fundamental – a recomendação dos profissionais de saúde continua sendo decisiva. Médicos são os principais influenciadores, seguidos por nutricionistas e farmacêuticos.
Na prática, essa realidade amplia ainda mais o papel das farmácias. Não basta oferecer um portfólio amplo. Será cada vez mais necessário contar com equipes preparadas, investir em capacitação, fortalecer a atuação do farmacêutico e oferecer uma experiência que combine conveniência, informação e segurança.
Na minha visão, esse é o verdadeiro protagonismo que o varejo farmacêutico conquistou. Não se trata apenas de liderar as vendas de suplementos alimentares. Trata-se de ser o elo de confiança entre indústria, profissionais da saúde e consumidores.
O mercado seguirá crescendo, impulsionado por uma população que vive mais, busca mais qualidade de vida e adota hábitos preventivos. Mas o sucesso desse crescimento dependerá da capacidade de todo o setor de preservar aquilo que levou o consumidor a escolher a farmácia como seu principal canal de compra – confiança, orientação e compromisso com a saúde.
Esse é um protagonismo que deve ser celebrado, mas, principalmente, exercido com responsabilidade.