Anvisa aprova testes da polilaminina
Remédio nacional pode ajudar pacientes com lesões medulares
por César Ferro em
A Anvisaaprovou nesta segunda-feira, dia 5, o início dos testes da polilaminina, medicamento brasileiro que pode ajudar pacientes com lesões medulares responsáveis pela perda dos movimentos do corpo. As informações são do Jornal Nacional, da Globo.
O estudo, que começou em 1997, aguardava há três anos a aprovação da agência para iniciar os testes clínicos. “É o resultado de um trabalho de muitos anos, de uma equipe muito grande. A universidade, empresa, os profissionais de saúde nos hospitais, fisioterapeutas, uma equipe muito grande envolvida nisso”, comemora Tatiana Sampaio, professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que comanda a pesquisa.
O fato de o remédio ser resultado de um projeto desenvolvido em uma universidade pública brasileira foi um ponto destacado pelo ministro da SaúdeAlexandre Padilha, durante a coletiva. “Para nós é muito significativo que se trata de um produto 100% nacional, de universidade pública”, afirma.
Nesta primeira fase de testes, os pesquisadores irão analisar a segurança no uso da substância e se ela causa reações adversas. Cinco pacientes com lesão completa da medula espinhal receberão uma injeção do fármaco até 48 horas depois do trauma. A partir daí, serão acompanhados pelos próximos seis meses. Caso não haja reações adversas graves, o estudo avança para as próximas fases, para avaliar a real eficácia da proteína.
Para conquistar a aprovação da Anvisa, são necessárias três etapas de testes e não há uma data-limite para a conclusão.
Polilaminina devolveu movimentos a seis pacientes
A polilamininaé uma rede de proteínas que fica escassa no organismo com o passar dos anos. No estudo, essas proteínas foram retiradas de placentas e introduzidas em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos.
A substância recriou a rede de conexões entre neurônios, o cérebro e o resto do corpo, possibilitando que seis pacientes voltassem a se movimentar. Um deles, cuja paralisia o afetava do ombro para baixo, voltou a andar sozinho com o tratamento.