CFF manifesta preocupação com alusão à tadalafila em energético
Entidade alerta para risco de banalização do uso de fármacos em ações de marketing
por Gabriel Noronha em e atualizado em
O lançamento do “Baly Tadala”, edição especial de energético da Baly desenvolvida para o Carnaval, gerou ampla repercussão, reacendendo debates nas últimas semanas. As informações são do Uol.
Enquanto publicações sobre o produto nas redes sociais acumularam mais de dois milhões de visualizações, o CFF manifestou preocupação com a associação da bebida à tadalafila.
O medicamento, indicado para o tratamento da disfunção erétil, se popularizou no país inicialmente como pré-treino, visando melhorias no desempenho durante a prática esportiva.
Posteriormente, seu uso recreativo se disseminou, acompanhado de promessas falsas sobre performance sexual. Em ambos os contextos, a automedicaçãopode provocar efeitos adversos à saúde.
CFF teme que alusão banalize o uso do fármaco
Em nota, o Conselho Federal de Farmácia demonstrou preocupação com o uso de trocadilhos e referências explícitas a um medicamento que exige prescrição médica. Para a entidade, a campanha contribui para a banalização do uso de fármacos e pode estimular a automedicação.
Segundo o órgão, a ideia de um produto que remete ao medicamento reforça, no imaginário coletivo, a noção equivocada de que seu consumo é simples, seguro e livre de consequências.
“Campanhas publicitárias que flertam com a medicalização do consumo recreativo exigem reflexão, responsabilidade e atenção das autoridades sanitárias e da sociedade. Medicamento não é produto de entretenimento, não é acessório de festa e não deve ser tratado como brincadeira. Medicamento não é brincadeira, nem mesmo no Carnaval”, diz um trecho do comunicado do conselho.
Baly nega referência ao medicamento
A Baly Brasil, por sua vez, destacou que a bebida não contém tadalafila ou nenhum outro fármaco na composição e que segue todas as normas sanitárias e regulatórias vigentes.
Acrescentando à negativa, a empresa afirmou que o bordão publicitário “a Baly que te leva para cima” não é uma referência ao medicamento, e sim ao conceito de vigor e energia que “vem sendo utilizado cotidianamente, inclusive em músicas e produtos em geral existentes no mercado”.
“Assim, o produto ‘Baly Tadala’ é completamente regular e não apresenta qualquer risco do ponto de vista toxicológico ou regulatório, enquadrando-se como bebida energética”, defende a empresa.