Chegou a hora de abandonar o lucro presumido
Com a reforma tributária, regime pode deixar de ser atrativo para as redes de farmácias
por César Ferro em e atualizado em
O Lucro Presumido pode ser considerado o regime predominante no varejo farmacêutico brasileiro, principalmente pela sua simplicidade operacional. Ao tributar com base em uma presunção sobre o faturamento, ele permitiu, durante anos, uma gestão menos estruturada sob o ponto de vista contábil e fiscal.
No entanto, a nova lógica trazida pela reforma tributária altera significativamente esse cenário. “A reforma muda completamente o modelo de apuração no Brasil Com a introdução do Imposto sobre Bens e Consumo (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), passamos a um sistema de não cumulatividade plena, no qual o crédito tributário é amplo e independe do regime de apuração do IRPJ. Ou seja, empresas no regime também poderão se creditar”, explica Paulo Machado, diretor de BPO da Procfit.
Apesar disso, segundo o especialista, o ponto crítico não está no direito ao crédito, mas na capacidade de aproveitamento. “A diferença estará na eficiência da apuração. O novo modelo exige rastreabilidade, controle documental e integração contábil mais rigorosa. Empresas com maior maturidade de gestão tendem a capturar melhor esses créditos – e isso, na prática, aproxima o modelo operacional do Lucro Real”, afirma
Lucro Presumido ganhou espaço pela simplicidade
Na visão do executivo, o Lucro Presumido popularizou-se, sobretudo no comércio, por dispensar controles mais sofisticados. “A escolha entre regimes deveria sempre partir de uma análise comparativa, com simulações. Mas, na prática, muitos optam pelo Lucro Presumido pela simplicidade operacional e pela ausência de uma estrutura contábil robusta”, afirma.
Esse fator, porém, passa a ser um ponto de atenção. Segundo ele, o IBS e a CBS exigem exatamente o oposto: controle detalhado das operações. Sendo assim, existe um desalinhamento entre a simplicidade do regime e a complexidade do novo sistema tributário.
Regime perdeu atratividade recentemente
Com a reforma tributária, o impacto no Lucro Presumido não ocorre pela perda do direito ao crédito, mas pela dificuldade operacional em aproveitá-lo de forma eficiente. “Na prática, pode haver um aumento indireto da carga tributária. Empresas que não estruturarem seus processos tendem a perder créditos ou utilizá-los de forma inadequada, o que impacta diretamente as margens”, alerta
No varejo farmacêutico, esse efeito será ainda mais sensível. O setor convive com a alta concorrência, margens comprimidas e grande volume operacional. Pequenas ineficiências na apuração tributária podem gerar impactos relevantes no resultado.
Diante desse cenário, o Lucro Real deixa de ser visto apenas como um regime mais complexo. Ele passa a ser uma ferramenta de gestão. Embora exija maior controle, permite uma visão mais precisa da operação e uma apropriação mais eficiente dos créditos tributários.
Tecnologia acelera a transição
A adaptação ao novo modelo não depende apenas de mudança de regime, mas de estrutura. Ferramentas de gestão e inteligência fiscal são fundamentais. Com apoio de tecnologia e BPO, é possível acelerar essa maturidade e garantir segurança na apuração, além de recuperar créditos de forma rápida e legal.
Para Machado, o principal impacto da reforma não é apenas tributário, mas cultural. “A reforma exige uma mudança de mentalidade. Empresas que continuarem tratando o tributário apenas como obrigação fiscal tendem a perder competitividade. Já aquelas que estruturarem sua gestão com base em dados e controle terão vantagem clara no novo cenário”, declara.