De ajudante a empresário, gestor transformou falências em sucesso
Gilliard Wanderley dos Santos superou perdas para comandar cinco farmácias com faturamento milionário
por César Ferro em
Antes de liderar cinco farmácias e comandar um negócio que movimenta cerca de R$ 2,5 milhões por mês, Gilliard Wanderley dos Santos começou de forma simples. Foi trabalhando como ajudante em uma farmácia, ainda muito jovem, que ele conheceu o setor.
No terceiro episódio do Minha História de 2026, contamos como ele cresceu, física e mentalmente, atrás de um balcão e se tornou um empresário de sucesso, somando 35 anos de jornada no varejo farmacêutico.
Gestor começou na farmácia por curiosidade
Natural de Brasília (DF), nosso personagem mudou-se muito cedo para Barreiras, principal município do oeste da Bahia. No entanto, por questões financeiras, ainda criança ele voltou à sua cidade natal para estudar e passou a morar com a tia Fatinha.
Na capital federal, teve seu primeiro contato com o setor. Em 1991, com dez anos de idade, começou a prestar serviços simples na farmácia de um conhecido, onde ficava responsável pela limpeza e organização.
Após passar quase um ano ajudando o amigo, ele voltou para Barreiras, mas não de mãos vazias. Levou consigo um ofício aprendido na prática e, em pouco tempo, conquistou seu primeiro registro de trabalho.
Experiência acendeu a chama do empreendedorismo
De volta à Bahia, Gilliard galgou novas posições. De auxiliar tornou-se balconista e no balcão ganhou a experiência necessária para assumir posições de liderança, como a gerência de loja. Com o auxílio da mãe Conceição, grande incentivadora de sua carreira, iniciou a atividade empreendedora nos anos 2000.
“Separava parte do meu salário e investia em consórcios de moto. Como comecei essa prática ainda menor de idade, vendia os veículos assim que era contemplado. Também adquiri caminhões e máquinas agrícolas que alugava para fazendeiros da região”, conta.
Apesar de gerar receita, a falta de capacitação técnica comprometeu o negócio. A saída foi vender tudo que lhe restava, o que resultou em R$ 30 mil. Com esse dinheiro, pôde realizar o sonho de abrir a própria farmácia. “Cada função exercida foi uma escola prática sobre atendimento, operação e gestão. Foi dessa vivência diária que nasceu o desejo de construir algo que fosse meu nesse setor. É como dizem: quando uma porta se fecha, outra se abre”, afirma.
“Um produto no Sul, outro no Norte”
Apesar dos anos de experiência como colaborador, o empresário não estava imune a momentos desafiadores. O primeiro veio ainda no começo da jornada empreendedora. “Como acabava de me recuperar de uma falência, abastecer a loja era uma grande dificuldade. Tínhamos que deixar os produtos bem espaçados para dar a sensação de loja cheia. Brinco que ficava um no Sul e outro no Norte”, relembra.
Apesar do cenário complexo, o empresário decidiu expandir e rapidamente abriu três novas lojas. O que era para ser o mapa do tesouro acabou levando à ruína. Gerindo o negócio por instinto e, sem o apoio de pessoal especializado, crescer fez com que a operação se tornasse insustentável.
“Consolidei minhas quatro farmácias em uma só e me mudei para um ponto mais estratégico”, afirma. Foi também nessa fase que outra grande apoiadora entrou em cena. Acreditando nos sonhos do casal, a então namorada e atual esposa Glenda Raquel utilizou o valor obtido em uma rescisão trabalhista para reerguer o negócio. “Esse gesto não foi só um apoio financeiro, mas sim uma demonstração de confiança e companheirismo”, reconhece.
Nova fase trouxe crescimento e desafios
Com o tempo, Gilliard consolidou sua atuação e, em 2017, sentiu que havia atingido um teto. Querendo crescer, mas vislumbrando um mercado pouco receptivo às farmácias independentes, decidiu que era hora de integrar uma rede.
O executivo viajou até São Paulo (SP) para buscar opções de grupos associativistas ou franquias. Chegou a encontrar uma bandeira, mas o retorno foi aquém do esperado. Por meio de conversas informais com representantes da distribuição, ele ouviu o conselho que mudaria a sua vida.

“Muitos me falavam que eu devia me unir à Ultra Popular. Passei meses estudando sobre a Farmarcas e, a cada nova informação, me sentia mais convencido de que esse era o melhor caminho”, afirma. Em 2020, o gestor inaugurou sua primeira farmácia da rede. Os resultados, segundo ele, foram imediatos. O faturamento mensal, que estava na casa dos R$ 30 mil, saltou para R$ 500 mil logo no primeiro mês. Só que tal avanço não veio sem as dores de crescimento.
Migração teve seus percalços
Ao fazer a migração para a Ultra Popular, Santos já tinha mais de 20 anos de farmácia e uma década comandando o próprio negócio. Moldar-se à nova estrutura e aprender a gerir de forma estratégica foram os maiores desafios.
“Eu estava acostumado a fazer tudo do meu jeito, nem sabia o que era um CMV ou um markup. Após o conselho de um amigo que também era associado, me debrucei sobre a ferramenta Radar e comecei a abrir minha visão para um mundo de novas possibilidades”, destaca.
Por meio do agrupamento, o empresário teve acesso a ferramentas de gestão, inteligência de mercado, treinamentos para equipe, marketing estruturado e maior poder de negociação com a indústria farmacêutica.

Em 2021, a segunda loja tornava-se realidade, na cidade vizinha de São Desidério. No ano seguinte veio a segunda Ultra Popular em Barreiras e, em 2023, a primeira unidade em Correntina. Hoje, suas cinco lojas tornaram-se pontos de atendimento importantes para a região, recebendo centenas de clientes diariamente. A receita média consolidada do grupo supera os R$ 2,5 milhões.
Gestor quer dobrar operação em cinco anos
Para os próximos cinco anos, o sonho é alto. Seu objetivo é dobrar a operação, tanto no número de lojas quanto no faturamento. Mas mais do que números, o que Gilliard quer construir de verdade é um exemplo para seus três filhos: Miguel, Vicente e Larissa. “O empreendedorismo é uma forma de construir um legado para a próxima geração. Com o auxílio da Farmarcas, sei que não deixarei apenas um negócio forte, mas baseado nas melhores práticas de governança”, finaliza.