Eli Lilly anuncia duas novas dosagens do Mounjaro
Medicamento com 12,5 mg e 15 mg de tirzepatida chega ao Brasil em março
por César Ferro em e atualizado em
A Eli Lilly anuncia a chegada de novas dosagens do Mounjaro no mercado brasileiro. As concentrações de 12,5 mg e 15 mg de tirzepatida serão disponibilizadas nas farmácias a partir da segunda quinzena de março.
Com isso, os pacientes brasileiros passarão a contar com todas as doses do medicamento disponíveis: 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 mg e 15 mg. “Com a chegada das versões mais potentes, completamos o portfólio da marca no Brasil e damos um passo importante para apoiar médicos e pacientes em decisões realmente individualizadas”, destaca Felipe Berigo, diretor executivo de cardiometabolismo da farmacêutica no Brasil.
Eli Lilly investiu US$ 50 bilhões para aumentar capacidade produtiva
A Eli Lilly vem trabalhando para disponibilizar o Mounjaro amplamente e está comprometida com o abastecimento do produto no mercado brasileiro. Desde 2020, o laboratório já investiu mais de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 257,4 bilhões) para aumentar a capacidade de produção de incretinas, com a inauguração de novas plantas produtivas e a ampliação de outras já existentes em diferentes países.
Outra medida para promover o aumento do acesso e auxiliar os pacientes ao longo de suas jornadas de tratamento foi a inclusão do medicamento no Lilly Melhor Para Você. O programa de suporte ao paciente oferece auxílio de educadores especializados, materiais educativos, condições especiais na compra de remédios participantes do programa e dicas de saúde e qualidade de vida. Ele é gratuito e, para se cadastrar, os interessados podem acessar o site da iniciativa e conhecer os serviços disponíveis e os medicamentos participantes.
Mounjaro é pilar de projeto de lei polêmico
A Câmara dos Deputados aprovou no começo de fevereiro o requerimento de regime de urgência para analisar o Projeto de Lei (PL) 68/2026, que pode levar à quebra de patente do Mounjaro. O texto declara esse medicamento e o Zepbound, que têm como princípio ativo a tirzepatida, como de interesse público e pede o fim da exclusividade de ambos.
Os remédios fazem parte da categoria de agonistas do GLP-1, que ganhou fama por seus efeitos no emagrecimento. Na votação, 337 parlamentares foram favoráveis e 19 contrários ao regime de urgência. O PL é de autoria dos deputados federais Antonio Brito (PSD-BA) e Mário Heringer (PDT-MG). Com a aprovação de urgência, o projeto pode ser votado a qualquer momento, sem a necessidade de passar pelas comissões da Casa.
Na justificativa, os autores argumentam que o preço comercial desses medicamentos é impeditivo aos objetivos de uma medicina de massa, que precisa, hoje, tratar mais da metade da população adulta de um país que ultrapassa os 200 milhões de habitantes. E ressaltam que “nem o Sistema Único de Saúde (SUS) consegue comportar a incorporação desses medicamentos em virtude do elevado custo”.
Apesar da medida, a novela ainda deve se prolongar. A expectativa é que o presidente da Casa, Hugo Motta, leve a pauta ao plenário somente após a segunda quinzena de março. De acordo com um aliado do parlamentar, não há ambiente para agilizar a tramitação.