EMS compra a Medley com investimento estimado em R$ 3,1 bi
Farmacêutica passa a deter 31% de market share no mercado de genéricos
por César Ferro em e atualizado em
A EMS anunciou nesta sexta-feira, dia 6, a compra da Medley após meses de especulações sobre qual farmacêutica faria a aquisição da divisão de genéricos da Sanofi. O laboratório, controlado por Carlos Sanchez, realizou uma coletiva de imprensa na qual foram apresentados os principais detalhes da operação.
A companhia não divulgou o montante envolvido, mas afirmou que os valores haviam superado a marca dos US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões), estipulada como mínimo para a operação em fevereiro. Apesar do sigilo, reportagem do Estadão afirma que a transação passou dos US$ 600 milhões (cerca de R$ 3,1 bilhões). O Neofeed, que confirma o montante, aponta que a maior parte do volume será oriunda de caixa próprio e que a tendência é de que 25% venham por meio de financiamento bancário.
Apesar de ter superado o piso estipulado pela Sanofi, a transação ficou abaixo dos US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões) projetados no início do processo de venda. Segundo Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, o rito de aprovação junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deve ser concluído ainda neste ano. “O mercado farmacêutico é extremamente pulverizado, o que nos dá segurança de que receberemos a aprovação”, afirma.
Decisão foi anunciada aos pretendentes na manhã de sexta
Segundo pessoas a par das negociações ouvidas pelo Estadão, a Sanofi confirmou a EMS como vencedora em uma teleconferência com os interessados na manhã desta sexta-feira, dia 6. Curiosamente, o executivo já havia comentado, em entrevista anterior à CNN Brasil, que esperava que o anúncio ocorresse neste mês. Minutos antes do convite para a coletiva, o portal TMC divulgou em primeira mão o desfecho.
Medley será unidade independente na estrutura do grupo
Também de acordo com o executivo, a divisão de genéricos manterá sua independência dentro da organização, sendo mais uma marca incorporada pelo grupo. Até a aprovação do Cade, a gestão seguirá autônoma, mas respondendo às lideranças da farmacêutica francesa.
A aquisição não deverá resultar em novas moléculas no portfólio de genéricos do laboratório nacional, mas possibilitará um ganho de até 8% de market share na categoria. “Somadas ambas as fatias, seremos responsáveis por até 31% do mercado”, afirma Sanchez.
Apesar de trazer a marca de genéricos para seu guarda-chuva, a EMS não encerrará sua atuação na área. “Não deixaremos de ter uma marca em prol de outra”, garante o executivo. O grupo absorverá todos os funcionários e lideranças, somando cerca de 900 profissionais, e manterá as equipes comerciais separadas.
Fábrica em Campinas será incorporada à operação
A EMS também absorverá as estruturas fabris que pertencem à Medley e não pretende fechar nenhuma das unidades. Pelo contrário, a farmacêutica poderá ser futuramente contemplada no plano de expansão do grupo, que contará com mais de R$ 1 bilhão.
“Seguiremos com uma operação capilarizada. Ainda vamos estudar o cenário com a reforma tributária, mas Manaus (AM) seguirá como uma praça estratégica, devido aos incentivos fiscais”, revela.
Analista crava o nascimento de uma “superfarmacêutica nacional”
Para André Reis, CEO da Repfarma e analista da indústria farmacêutica no portal, a união entre EMS e Medley transformará o Grupo EMS em uma “superfarmacêutica nacional”. Segundo ele, ao se somar o faturamento da divisão de genéricos à receita global do conglomerado, a vantagem sobre os demais líderes crescerá de forma sensível.
“Como a Medley fatura cerca de R$ 2,5 bilhões por ano, somando-se esse valor ao Grupo EMS, que tem receita superior a R$ 11 bilhões, a companhia abriria uma distância de R$ 3,4 bilhões para o segundo colocado, a Hypera. Só essa diferença representa cerca de 50% do faturamento do Aché, o quarto no ranking”, afirma.
Ele também destaca que o market share estimado em 8,4% do mercado farmacêutico constitui um marco histórico. “Atualmente, o grupo detém 6,6% do mercado. Em 2020, essa porcentagem era maior, na casa de 7%, mas o faturamento do setor era de apenas R$ 94 bilhões. Agora, o canal tem uma receita de R$ 172 bilhões”, afirma.
A novela sobre a compra da Medley
A novela sobre a compra da Medley começou com um processo de desinvestimento em genéricos movido pela Sanofi. Desde 2018, a farmacêutica negociou operações que focavam em medicamentos genéricos na Europa e na América do Sul.
A EMS e o Aché despontaram em fevereiro como os favoritos, mas havia outros interessados no ativo. Entre eles se destacam a gestora Vinci Partners, os laboratórios brasileiros Biolab e Hypera e a indiana Sun Pharma. Ao todo, ao menos oito companhias participaram do processo.
Para Fernando Sampaio, presidente da Sanofi Brasil, o acordo reflete a estratégia da companhia de focar seus investimentos e expertise em medicamentos biofarmacêuticos inovadores e vacinas, onde poderá gerar o maior impacto para pacientes brasileiros com necessidades médicas não atendidas.
“Reconhecemos profundamente e valorizamos o talento e a dedicação dos colaboradores da Medley, que construíram uma marca confiável e respeitada ao longo das últimas décadas, atendendo milhões de pacientes, e estamos confiantes de que o Grupo EMS criará as condições para que a farmacêutica continue crescendo e servindo pacientes em todo o Brasil”, acrescenta.