Entregas representam 1/5 das vendas em farmácias
Modalidade movimenta R$ 22,6 bilhões nas grandes redes do setor
por César Ferro em
Já consolidadas no varejo farmacêutico, as entregas – sejam oriundas de pedidos para delivery ou via e-commerce – ganham cada vez mais protagonismo no setor. Segundo dados da Abrafarma, cerca de 20% das vendas em farmácias são feitas à distância. As informações são do Valor Econômico.
Em 2025, essas modalidades movimentaram R$ 22,6 bilhões, considerando as 29 redes associadas à entidade. O crescimento no período foi de 57,7%.
Participação nas vendas em farmácias pode ser ainda maior
A representatividade desse canal nas vendas pode ser ainda maior. “Na Panvel, estamos próximos de 30%”, afirma Raphael Monteiro, diretor de digital e cliente da rede de farmácias.
A RD Saúde também opera em um patamar similar, mas sua fortaleza se concentra em outra frente – o clique e retire. O serviço já representa 70% das vendas digitais. “O digital consolidou-se como a principal alavanca de conveniência e recorrência, refletindo a forma como o cliente frequente já combina atendimento físico e digital”, opina Diego Kilian, diretor de multicanal da varejista.
As entregas rápidas (em até uma hora) também já fazem sucesso, representando 27% do delivery. Criada em 2022, a opção é válida para compras acima de R$ 30, mediante o pagamento de um frete de R$ 7,90. “Em algumas regiões, já atendemos em esquema 24 horas. Quem compra por delivery geralmente tem urgência para receber o produto”, completa.
Inovação é pilar estratégico
Não são apenas as grandes redes que surfam na onda do digital. A Drogamais, que conta com mais de 230 lojas no Paraná, ‘contratou’ um funcionário especial para ganhar agilidade na separação: um robô.
A companhia conta com o equipamento para colher o medicamento nas prateleiras e dispensar para o farmacêutico em 10 segundos. De acordo com a BD Rowa, fabricante do sistema, já são 16 robôs no Brasil, distribuídos entre farmácias, hospitais e centros de distribuição em sete estados. O investimento aproximado para os modelos mais simples é de R$ 1,5 milhão.
No equipamento pertencente à empresa sulista, há também um módulo externo que permite a retirada de uma compra online – pelo consumidor ou entregador – a qualquer momento, via QR Code. “Essa loja foi a primeira operação no País com esse formato de autoatendimento integrado à automação de dispensação”, comenta a fabricante.
Serviço tem particularidades regulatórias
Enquanto o transporte de alimentos foca na segurança alimentar, o de medicamentos é regido por normas sanitárias estritas, que incluem rastreabilidade, documentação, logística reversa e controle de indicadores como temperatura e umidade.
A RD Saúde, por exemplo, só entrega medicamentos controlados (RXs) na cidade de São Paulo (SP). Neste caso, é preciso compartilhar a prescrição antes da entrega, seja a receita física ou digital.