Gestora supera lojas quebradas e almeja faturamento milionário
Antônia Trovão enfrentou grave crise financeira, mas deu a volta por cima graças ao associativismo
por César Ferro em
A gestora de farmácia Antônia Trovão construiu uma trajetória singular. Com mais de 30 anos de experiência no varejo farmacêutico, ela viu sua vida tomar um rumo decisivo a partir de 2018. Essa transformação levou a psicopedagoga a se tornar uma empresária de sucesso no setor.
No segundo episódio da temporada 2026 da seção Minha História, destacamos uma trajetória marcada por dificuldades, superação, luta e conquistas, construída por uma forte mulher nordestina.
Gestora tem história em dois atos
Os primeiros 22 anos
Nascida em Peritoró, cidade com pouco mais de 20 mil habitantes localizada no leste do estado do Maranhão, Antônia sempre esteve ligada à educação. Professora, formou-se também em psicopedagogia e, por muitos anos, ela exerceu essa função.
Durante os anos 1990, ela teve seu primeiro contato com o varejo farmacêutico. Seu primeiro marido investia no setor e chegou a comandar dez lojas na região. Apesar da aparente prosperidade, a gestora lembra que o negócio era tocado na base da intuição, sem o uso de dados e métricas para nortear as decisões. “Nenhuma das farmácias apresentava rentabilidade ideal. Era quase uma questão de subsistência”, relembra.
E a operação seguiu assim. Com o passar dos anos, o mercado ficou mais concorrido, a exigência por uma gestão profissional aumentou e, gradualmente, as portas foram se fechando definitivamente. Em 2018, quando o casamento também chegou ao fim, o número de unidades havia caído pela metade. “Fiquei com três farmácias quebradas e a responsabilidade de virar esse jogo”, conta.
Os últimos oito anos
Nesse período entra em cena a Antônia gestora. Apesar de ligada ao varejo há mais de duas décadas, essa era a primeira vez que recaía sobre ela a missão de comandar o negócio da família.
Com três PDVs, sendo dois em Bacabal (MA) e um em Miranda do Norte (MA), a empresária deparou-se com um dos principais desafios para as farmácias independentes – manter a loja abastecida. “Precisava fazer compras, mas somava os boletos a pagar e o valor era maior que nosso faturamento”, lamenta.
O caminho foi recorrer a empréstimos, uma vez que até mesmo algumas distribuidoras já se mostravam menos dispostas a flexibilizar os pagamentos. Fazendo os malabarismos típicos de quem empreende, ela conseguia manter as portas abertas, mas ainda estava longe de se sentir tranquila com os resultados.
Amiga apresenta o associativismo da Farmarcas
Foi em 2020 que a maré começou a mudar para Antônia, com sorte no amor e nos negócios. Ela se casou pela segunda vez, agora com Manuel Junior, que passou também a auxiliá-la na operação.
Ao conversar com uma amiga que também empreendia no setor, ela conheceu a Bigfort, uma das redes que integra a Farmarcas. O modelo de negócio, com foco em dados e o backoffice de uma gigante associativista, representava uma novidade para a região.
“Até hoje o mercado de Miranda do Norte é essencialmente independente. Quando compreendi a robustez do associativismo, sabia que era esse o caminho que deveria seguir”, relata.
Dois passos para trás, inúmeros para frente
Embora tenha mantido a operação de três lojas simultaneamente por dois anos, Antônia sentia que estava estagnada. Para poder arcar com os custos da conversão de bandeira para Bigfort, ela decidiu tomar uma atitude ousada. “Decidi vender minhas duas farmácias de Bacabal e investir o valor do negócio na loja de Miranda do Norte. Assim consegui arcar com as reformas, adequar meu mix e atingir o ponto de equilíbrio”, destaca.
Em agosto de 2020, o pequeno município com menos de 30 mil habitantes ganhou sua primeira farmácia de rede. Foi então que começou sua caminhada rumo ao sucesso.

Quase R$ 4 milhões de faturamento e pensando em expansão
Depois de seis anos, a realidade do negócio mudou da água para o vinho. Com o foco concentrado apenas em um PDV, foi possível elevar o faturamento médio mensal para mais de R$ 240 mil. O objetivo para 2026 é seguir crescendo, chegando a uma receita anual próxima dos R$ 4 milhões.
Quando questionada sobre uma possível expansão, Antônia não esconde o interesse e revela estar prospectando algumas praças. “Já obtive muitas conquistas graças ao apoio e expertise da Farmarcas. Agora, à frente de uma farmácia profissional e estruturada, vejo que posso almejar muito mais”, finaliza.