GLP-1 ainda não alcança 90% da população, avalia Novo Nordisk
Familiarização e preços são os principais obstáculos da categoria
por Gabriel Noronha em
Mike Doustdar, presidente-executivo da Novo Nordisk, afirmou ao Financial Times que o mercado de canetas emagrecedoras ainda está “arranhando a superfície” de seu potencial.
De acordo com o líder da farmacêutica, a principal missão das empresas da categoria nos próximos anos será ampliar o acesso. “É preciso expandir o mercado, especialmente se você trabalha em um negócio como o nosso. Nos EUA, há 110 milhões de pessoas com obesidade”, explica.
Ao abordar o cenário atual, o executivo afirmou que Novo Nordisk, sua principal rival Eli Lilly e as farmácias de manipulação dos EUA, que produzem medicamentos similares para obesidade, juntas, “estão alcançando não mais do que 10% a 15% dessa população neste momento.”
Lançamentos e preços mais acessíveis acirram disputa
Buscando reconquistar uma fatia do mercado agora liderado pela Lilly, a farmacêutica dinamarquesa aposta no lançamento da apresentação oral do Wegovy, embora a competidora também já tenha conquistado aprovação regulatória para a produção do Foundayo.
Outras iniciativas que podem auxiliar na expansão da categoria estão relacionadas ao elevado preço do tratamento. De acordo com os planos da companhia, os preços do Wegovy e o Ozempic devem cair 50% e 35% nos Estados Unidos, respectivamente, a partir de janeiro.
Uma das razões para a alteração dos valores foi um acordo com o governo para a inclusão da categoria no TrumpRX, site de prescrições lançado pelo presidente dos EUA no final de 2025.
“O acordo com o governo Trump, embora funcione bem para o governo dos EUA, também funciona muito bem para nós”, afirma, porque amplia a base de clientes com preços mais baixos.
Popularização em novos países pode alavancar vendas
Para exemplificar o tamanho do mercado ainda não explorado, Doustdar comparou o desempenho da farmacêutica na Índia e em seu país natal:
“O maior problema que temos do ponto de vista de oportunidade em um mercado como a Índia ainda não é a concorrência, é que quase não existe mercado. Há mais pacientes sendo tratados na Dinamarca com produtos da Novo Nordisk do que no país mais populoso do mundo”, afirma.