Indústria farmacêutica nacional lidera avanço do setor
Segundo levantamento da Alanac, farmacêuticas brasileiras foram protagonistas em unidades e receita
por César Ferro em e atualizado em
A indústria farmacêutica nacional liderou o avanço das farmácias brasileiras em 2025 e encerrou o ano com maior presença que as multinacionais nas gôndolas do varejo, tanto em número de embalagens como em faturamento. Segundo levantamento da Alanac, com base em dados da IQVIA, o faturamento total das farmácias chegou a cerca de R$ 146,8 bilhões em 12 meses.
A título de comparação, em 2021, o montante estava na casa dos R$ 90 bilhões. O crescimento supera 60% em cinco anos e foi impulsionado sobretudo pelo desempenho dos laboratórios de capital brasileiro.
Em 2025, essas companhias responderam por cerca de 94% das unidades de genéricos e 83% de medicamentos de marca vendidos no país. Em valor, concentraram aproximadamente 90% da receita de genéricos e cerca de 69% do faturamento dos produtos de marca.
“Os dados mostram que são as empresas de capital nacional que sustentam a base do mercado. Somos nós que garantimos escala, abastecimento e a maior parte das embalagens que chegam às farmácias brasileiras, especialmente nos remédios de uso contínuo”, afirma Henrique Tada, presidente-executivo da associação.
Indústria farmacêutica nacional produziu mais de 2 bilhões de genéricos
No segmento de genéricos, cerca de 2,22 bilhões de embalagens vendidas em 12 meses foram produzidas por laboratórios nacionais. As multinacionais ficaram com aproximadamente 143 milhões de unidades.
A série histórica confirma que o desempenho não é pontual. Entre 2021 e 2025, o faturamento das companhias brasileiras na categoria passou de cerca de R$ 11,86 bilhões para R$ 20,85 bilhões. No mesmo período, o mercado total avançou de aproximadamente R$ 13,15 bilhões para R$ 23,01 bilhões.
Nos medicamentos de marca, as empresas do País venderam aproximadamente 2,18 bilhões de unidades em 2025. Em receita, faturaram cerca de R$ 49,92 bilhões. As estrangeiras registraram cerca de R$ 22,69 bilhões.
Entre 2021 e 2025, a receita das farmacêuticas nacionais em medicamentos de marca cresceu de aproximadamente R$ 31,25 bilhões para R$ 49,92 bilhões. No mesmo intervalo, o mercado total do segmento passou de cerca de R$ 45,24 bilhões para R$ 72,62 bilhões.
Multinacionais ainda lideram em referência
Nos medicamentos de referência, as multinacionais ainda lideram, mas a indústria nacional mantém presença relevante. Em 2025, empresas estrangeiras responderam por cerca de 66% do volume – aproximadamente 59,5 milhões de unidades – enquanto os laboratórios brasileiros ficaram com cerca de 34%, o equivalente a 30,1 milhões de unidades. Em valores, as farmacêuticas de fora faturaram cerca de R$ 38,03 bilhões e as do País aproximadamente R$ 13,12 bilhões.
No caso dos biológicos, o volume no varejo caiu de 16,18 milhões de unidades em 2021 para 10,40 milhões em 2025, enquanto a receita praticamente dobrou, passando de cerca de R$ 3,32 bilhões para R$ 6,16 bilhões. O segmento segue concentrado nas grandes farmacêuticas globais.