MSF acusa farmacêutica de se recusar a vender medicamento para HIV
ONG cobra acesso a medicamento inovador
por Gabriel Noronha em
O Instituto Médicos Sem Fronteiras (MSF) tornou pública nesta segunda-feira, dia 30, uma carta aberta à farmacêutica americana Gilead Sciences. No texto, a ONG solicita que a empresa coopere com a comercialização do lenacapavir, medicamento voltado à prevenção do HIV.
De acordo com a MSF, a companhia tem se recusado a atender diretamente sua demanda, exigindo que o grupo obtenha suas doses por meio do Fundo Global, que assinou um acordo com a Gilead.
Essa opção, no entanto, inviabiliza a atuação do instituto. O fornecimento é limitado a apenas 18 países, muitas vezes diferentes daqueles em que o MSF atua, devido a restrições impostas pela própria Gilead.
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Estudos do Médicos Sem Fronteiras estimam que cerca de 1,3 milhão de pessoas em todo o mundo são infectadas com o HIV todos os anos, evidenciando a necessidade urgente de ampliar o acesso a ferramentas de prevenção altamente eficazes, como os medicamentos de profilaxia pré-exposição (PrEP) de longa duração.
“Impedir que organizações humanitárias tenham acesso a um avanço médico coloca pessoas vulneráveis em perigo”, afirmou o Dr. Tom Ellman, diretor da Unidade Médica da África Austral (SAMU) de MSF. “A Gilead precisa decidir se prioriza a proteção das pessoas ou a manutenção de controle e lucro. Isso é uma repetição assustadora das políticas que vimos na década de 1990, quando os antirretrovirais eram disponibilizados para quem vivia no Norte global, enquanto o restante do mundo tinha o acesso negado e muitas vidas foram perdidas para o HIV/AIDS”, acrescenta.
A redação do Panorama Farmacêutico acionou a farmacêutica por meio de sua assessoria de imprensa no Brasil, mas não obteve retorno até o fechamento da reportagem.