Novartis capacita profissionais para aplicação de medicamento oncológico
Ação tem como objetivo preparar espaços e equipes para a aplicação de terapia inovadora
por César Ferro em
Atuante há 90 anos no Brasil, a Novartis consolidou-se na área de oncologia após o lançamento do Kisqali (ribociclibe) em 2018. Agora, por meio da terapia radioligante Pluvicto (vipivotida tetraxetana-177Lu), a farmacêutica quer escrever um novo capítulo em sua história.
O medicamento inovador trouxe desafios específicos para o mercado hospitalar. “A terapia é complexa e demanda infusão em centros adequados”, explica Bianca Cormanich, head da área de oncologia e hematologia do laboratório no Brasil.
Por isso, a companhia apoiou a capacitação de mais de 80 centros de medicina nuclear ao longo de 2025. “Inovar em oncologia exige pensar além do medicamento e atender também às necessidades do ecossistema de saúde”, afirma. Outro movimento orquestrado pela empresa foi a capacitação dos times assistenciais, como oncologistas e médicos nucleares, oferecendo apoio científico, técnico e operacional.
Terapia radioligante é cercada por desafios particulares
As terapias radioligantes exigem uma cadeia produtiva e logística extremamente otimizada, pois são produtos com validade reduzida e regulações específicas, como as cotas de radiação. No caso do Pluvicto, por exemplo, ele não é fabricado em larga escala.
A produção do medicamento começa quando o prescritor faz o pedido por meio de um sistema global mantido pela Novartis. A farmacêutica destaca dois membros de sua equipe para acompanhar cada etapa logística, garantindo que o remédio chegue ao paciente dentro da janela de qualidade e segurança. Toda essa operação resultou no tratamento de 311 pacientes no Brasil em 2025.
Novartis foca em cânceres de grande impacto
Além do fabricante, Kisqali e Pluvicto compartilham outra similaridade: ambos são destinados a tipos de câncer de grande impacto. Essa é uma estratégia própria da companhia, que opta por trabalhar com os tipos da doença que apresentam uma maior prevalência.
O ribociclibe, por exemplo, é indicado para o câncer de mama em estágios metastáticos e como adjuvante para pacientes com receptor hormonal positivo (RH+) e HER2 negativo, com alto risco de recidiva – aprovação conquistada junto à Anvisa em setembro do ano passado. A doença atinge mais de 70 mil mulheres no Brasil. Já a terapia radioligante é utilizada no tratamento do câncer de próstata, que afeta cerca de 72 mil homens no País.
Área é importante motor de crescimento
A oncologia representa mais de um terço do crescimento da empresa no Brasil. E com a chegada do medicamento inovador, a expectativa é que a área seja o principal motor do crescimento nos próximos cinco anos.
“Embora novas terapias impulsionem o crescimento, nosso portfólio maduro sustenta o investimento contínuo em inovação”, ressalta a executiva. Anualmente, a Novartis aporta cerca de US$ 10 bilhões (aproximadamente R$ 52 bilhões) em pesquisa e desenvolvimento.
Considerado um contribuidor estratégico para os esforços de pesquisa da farmacêutica, o Brasil está presente em dezenas de estudos clínicos e recebe em torno de US$ 18 milhões (R$ 93,7 milhões) em investimentos na área.
Farmacêutica quer lançar 18 novos tratamentos nos próximos seis anos
Para 2026 e 2027, o laboratório irá submeter o ribociclibe para adjuvância à Conitec e espera receber mais duas indicações para o Pluvicto em momentos diferentes do câncer de próstata.
Os desenvolvimentos futuros da farmacêutica focarão em três plataformas tecnológicas: terapia celular (CAR-T), continuidade do pipeline de terapias radioligantes e RNA. A expectativa é que nos próximos seis anos, o laboratório lance 18 novos tratamentos entre novas moléculas e expansão das indicações já em comercialização. “Ao todo, possuímos um pipeline robusto, com mais de 100 programas clínicos globais em desenvolvimento”, finaliza.