Novo Nordisk testará distribuição de Wegovy no SUS
Parceria com Ministério da Saúde deve atender mil pacientes em três unidades
por Gabriel Noronha em
Um projeto piloto da Novo Nordisk avaliará o impacto da disponibilização de Wegovy no SUS. A iniciativa, anunciada nesta quarta-feira, dia 4, é fruto de uma parceria entre a farmacêutica e o Ministério da Saúde. As informações são do Valor Econômico.
A expectativa inicial é de que pelo menos mil pacientes sejam atendidos em três unidades de saúde no país. A ação faz parte de um programa global da companhia, que promove iniciativas semelhantes em diferentes mercados.
O Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (Iede), no Rio de Janeiro, e o Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, já foram confirmados no programa. A terceira localidade, que deve ser de nível municipal, ainda não foi definida.
“A ideia aqui não é, inicialmente, atingir muitas pessoas, mas ter o que chamamos de prova de conceito, para demonstrar que funciona, e então poder expandir a partir daí. É um projeto de dois anos, e começaremos o mais rápido possível”, afirma Emil Larsen, vice-presidente executivo de operações internacionais da Novo Nordisk.
Wegovy no SUS surge como resposta ao avanço da obesidade
A inclusão da caneta emagrecedora no rol de medicamentos do Sistema Público de Saúde pode auxiliar o Brasil no combate ao crescimento dos índices de sobrepeso, problema que impacta diversos países.
De acordo com dados do Atlas Mundial da Obesidade, 60,9 mil mortes prematuras no Brasil podem ser atribuídas a doenças crônicas não transmissíveis associadas ao sobrepeso ou à obesidade. Dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 60% da população brasileira apresentava excesso de peso em 2024.
“Cada ponto percentual que conseguirmos reduzir no nível de IMC [Índice de Massa Corporal] da população ajuda a prevenir, por exemplo, mortes prematuras e muitas comorbidades bastante desagradáveis, que também são muito custosas de tratar”, explica Larsen.
Novo Nordisk oferecerá contrapartidas
Para viabilizar o acordo, a farmacêutica dinamarquesa garantirá que instituições públicas brasileiras tenham acesso ao fármaco a preços mais acessíveis, além de oferecer capacitação aos profissionais de saúde envolvidos no projeto.
“Esperamos que a falta de recursos não seja um motivo para não receber tratamento, porque, no longo prazo, o setor público também pode oferecer tratamento para a obesidade, assim como já aconteceu com a insulina para diabetes tipo 2, fornecidos gratuitamente no Brasil”, complementa.