Obesidade e oncologia dominam rol de medicamentos promissores
Relatório global aponta que duas indústrias farmacêuticas serão as mais favorecidas por esse movimento
por Ana Claudia Nagao em
A farmacêutica norte-americana Eli Lilly foi a grande protagonista do relatório Drugs to Watch 2026, divulgado pela Clarivate, com dois tratamentos cardiometabólicos figurando entre os medicamentos mais promissores do ano. As informações são do Fierce Pharma.
O estudo destacou dois produtos ainda em desenvolvimento pelo laboratório, com maior potencial de impacto clínico e comercial nos próximos anos. Inclusive, especialistas avaliam que esse fármacos podem, no futuro, substituir seus atuais líderes de mercado – Mounjaro e Zepbound.
Terapias metabólicas figuram entre os medicamentos mais promissores
O primeiro desses medicamentos em destaque é o orforglipron, um agonista oral diário do receptor GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1). O tratamento está sob revisão da FDA com expectativa de decisão até março de 2026, e é voltado ao manejo de obesidade e diabetes tipo 2. Os ensaios clínicos em andamento também envolvem comorbidades relacionadas.
Em dezembro a Lilly anunciou resultados positivos da pesquisa de Fase 3, que avaliou o orforglipron para manutenção do peso ao longo de 52 semanas após o tratamento inicial de 72 semanas, com as doses máximas toleradas de Wegovy (semaglutida) ou Zepbound (tirzepatida).
Após um ano, o remédio atingiu o objetivo primário e todos os principais objetivos secundários em comparação com o placebo, proporcionando manutenção de peso superior como adjuvante a uma dieta saudável e atividade física.
“A obesidade é uma doença crônica e progressiva, e manter a perda de peso continua sendo um desafio significativo para muitos. Uma vez aprovado, o orforglipron poderá oferecer uma alternativa conveniente para milhões de pessoas que vivem com o problema em todo o mundo, permitindo que continuem sua jornada de saúde em longo prazo“, afirma Kenneth Custer, vice-presidente executivo e presidente da Lilly Cardiometabolic Health.
A segunda promessa de blockbuster é o retatrutida, injeção semanal com ação tripla nos receptores GLP-1, GIP e glucagon. O lançamento está previsto em 2028. A Clarivate estima que o retatrutida representará um importante avanço na abordagem de doenças metabólicas complexas, gerando uma reação da concorrência em efeito cascata.
Ainda segundo o relatório, o orforglipron poderá alcançar vendas globais de cerca de US$ 16 bilhões (R$ 86,72 bilhões) em 2031, enquanto a retatrutida tende a movimentar até US$ 30 bilhões (R$ 162,6 bilhões) no mesmo ano. Deste montante, aproximadamente US$ 10 bilhões (R$ 54,2 bilhões) serão provenientes do tratamento da obesidade e US$ 20 bilhões, do diabetes.
Analistas da Clarivate ressaltam que esses resultados refletem a evolução contínua do mercado de medicamentos para obesidade e doenças metabólicas, segmentos que companhias financeiras como a Morgan Stanley projetam atingir um valor de US$ 150 bilhões (R$ 813 bilhões) até 2035.
Diversificação e novas frentes terapêuticas no radar
Além das apostas da Lilly, o relatório inclui medicamentos de outras grandes farmacêuticas, embora com projeções de receita significativamente menores. A Johnson & Johnson teve dois produtos destacados. O tratamento para câncer de bexiga Inlexzo, já aprovado pela FDA em setembro do ano passado, e o icotrokinra, uma terapia imunomoduladora oral prevista para lançamento em 2026.
O Inlexzo é o primeiro e único sistema intravesical de liberação de fármacos a proporcionar a administração local prolongada de um medicamento oncológico diretamente na bexiga. “Em uma área que viu pouco progresso por mais de 40 anos, o medicamento oferece uma inovação revolucionária inédita, que proporciona aos pacientes com câncer de bexiga um sentimento de esperança e confiança”, comenta Jennifer Taubert, vice-presidente executiva e presidente mundial de Medicina Inovadora da Johnson & Johnson.
A Clarivate avalia que estes medicamentos podem alcançar, respectivamente, cerca de US$ 1,8 bilhão (R$ 9,756 bilhões) e US$ 1,5 bilhão (R$ 8,13 bilhões) em vendas até 2031.