Parceria sindical amplia o acesso à cannabis no Brasil
Convênio no ABC Paulista reduz custos e facilita tratamentos com derivados da planta
por Gabriel Noronha em
Uma parceria inédita entre o Sindicato dos Metalúrgicos e a Associação Flor da Vida está ampliando o acesso à cannabis na região do ABC Paulista. A iniciativa busca reduzir o impacto dos altos preços praticados no mercado e levar a terapia ao “chão de fábrica”. As informações são do portal Brasil de Fato.
A união entre as entidades teve início em 2023 e permite que trabalhadores e familiares se beneficiem da cannabis medicinal por meio de convênio. “Nosso sindicato foi o primeiro a fechar parceria com a Flor da Vida. O nosso espaço chama-se Cauã Brás, em homenagem ao filho de um trabalhado”, conta Andreia Ferreira de Souza, diretora executiva do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Desde então, mais de 600 pessoas já adquiriram óleos à base de cannabis a preços acessíveis e passaram por consultas médicas ou psicológicas graças ao projeto.
Associação defende popularização do acesso à cannabis
“O colaborador que tem menos condições acaba agravando mais as doenças por falta de terapia, de acompanhamento ou então de um remédio adequado”, explica Enor Machado, presidente e fundador da Associação Terapêutica Cannabis Medicinal Flor da Vida.
Segundo ele, apesar de o canabidiol ser, em tese, disponibilizado pelo SUS para tratamentos como epilepsia refratária e esclerose múltipla, a burocracia e as limitações na cobertura tornam o acesso, na prática, muito difícil.
Rafael Loyola, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, afirma que a categoria presta apoio aos trabalhadores em diferentes aspectos da rotina. “Ainda há muitos trabalhadores que enfrentam dores crônicas provocadas por atividades repetitivas no ambiente de trabalho. Para esse público, o uso do óleo de cannabis medicinal tem se mostrado uma alternativa importante no tratamento e no alívio dos sintomas”, explica.
Loyola também acrescenta que a procura pelo produto vem crescendo entre famílias de profissionais que convivem com o transtorno do espectro autista (TEA). “Segundo relatos, inicialmente não se tinha dimensão da relevância do óleo como recurso terapêutico complementar nesses casos. Outro entrave é o custo elevado do medicamento, que, em geral, precisa ser importado, tornando o acesso ainda mais difícil”, observa.
Com a formalização de parcerias para viabilizar a distribuição, no entanto, o valor do produto foi reduzido, tornando-se mais acessível aos trabalhadores que necessitam do tratamento.