Pesquisa aponta salto no consumo de agonistas de GLP-1
Segundo o Consumer Pulse 2026, da Bain & Company, 11% dos entrevistados já usaram medicamentos da categoria
por César Ferro em
Pergunte a qualquer gestor de farmácia e ele dirá que o consumo de análogos de GLP-1, como os blockbusters Ozempic (semaglutida da Novo Nordisk) e Mounjaro (tirzepatida da Eli Lilly), está em alta. Os números, porém, mostram que esses tratamentos são mais populares do que o esperado.
Segundo a pesquisa Consumer Pulse 2026, realizada pela Bain & Company, 11% dos entrevistados afirmam já ter utilizado canetas “emagrecedoras”. “Esse montante representa um avanço de quase quatro vezes em relação aos 3% registrados no ano passado”, revela Ricardo de Carli, sócio da companhia na América do Sul. A pesquisa ouviu cerca de 8 mil pessoas em nível global, sendo 2 mil no Brasil.
Consumo de análogos de GLP-1 pulverizado em todas as classes
Quando estratificados por classe social, os análogos de GLP-1 mantêm penetração recorde. Entre a população com renda acima de dez salários mínimos, 22% dos respondentes já utilizaram o medicamento. Na chamada classe média, na faixa de três a dez salários mínimos), o índice é de 13%.
Os brasileiros de baixa renda, até três salários mínimos, são os únicos a figurarem abaixo da média geral, com 9%. Ainda assim, a porcentagem é três vezes maior do que o resultado de 2025.
Acompanhamento médico ainda é deficitário
O aumento no acesso, entretanto, ainda não é proporcional ao nível de acompanhamento médico. De acordo com o levantamento, 85% dos entrevistados de alta renda aliam o tratamento a consultas regulares, enquanto apenas 34% dos usuários do estrato mais baixo cultivam esse hábito.
O cenário torna-se ainda mais crítico porque 33% nunca receberam uma prescrição para o medicamento. “Isso gera uma ameaça à saúde e à própria segurança pública, em função dos riscos ampliados gerados pela falsificação de medicamentos”, alerta o executivo.
Drivers ainda podem impulsionar o crescimento da categoria
Carli elencou três drivers principais que podem fazer esse mercado crescer ainda mais:
- Redução de preços
- Novas formas de uso
- Demanda reprimida
“Com o fim da patente da semaglutida no último mês de março, novas farmacêuticas entrarão na disputa por esse mercado, o que tornará o tratamento mais acessível. Em paralelo, a nova geração de análogos está trazendo resultados superiores, menos efeitos colaterais e formas de administração mais simples, por meio de comprimidos. Por fim, 17% dos entrevistados que ainda não fizeram uso de GLP-1 indicam interesse em aderir à terapia”, comenta.
Canetas impulsionam gastos com HPC e suplementação
E não apenas a procura por GLP-1 aumentou. A Bain perguntou aos consumidores para quais categorias eles destinaram mais gastos após o início do tratamento e a resposta demonstra diferentes oportunidades para as farmácias.
A pesquisa aponta que 16% dos entrevistados passaram a investir mais em produtos de beleza e 26% em suplementos. “Em ambos os casos, o mercado brasileiro mostra-se mais aquecido que o dos Estados Unidos, onde as respostas indicaram avanços de 3% e 15%, respectivamente”, revela.
Tendência veio para ficar
Carli também destaca que a tendência é que o mercado siga aquecido. “Após o fim do tratamento de 68 semanas, se a medicação for suspensa, o paciente pode recuperar o peso perdido. Para evitar que isso aconteça, dar sequência ao uso será uma escolha natural”, projeta.