Preço da cannabis medicinal nas farmácias é marcado pela flutuação
Desde 2022, produtos registraram 46 mil preços
por César Ferro em e atualizado em
O preço da cannabis medicinal nas farmácias brasileiras foi alvo de um estudo da Kaya Mind iniciado em 2022. Nesses três anos de análise, a consultoria destaca que a flutuação é a palavra que melhor define o comportamento da precificação. As informações são do Cannalize.
No período, a empresa captou mais de 46 mil preços de produtos à base da erva. O levantamento levou em conta 64 pontos de venda e 45 apresentações de 15 empresas.
Preço da cannabis medicinal nas farmácias é superior
De acordo com o estudo, os produtos vendidos nas farmácias continuam, em média, sendo os mais caros, à frente daqueles comprados via importação ou por meio das associações de pacientes.
Durante apresentação no Cannabis Connection, Lucas Goulart, head de dados da Kaya Mind, revelou que o preço é um dos maiores empecilhos para o acesso ao tratamento. Na comparação entre os valores aplicados em outubro de 2025, o custo por miligrama chega a R$ 0,26 quando a aquisição acontece via RDC 660 (importação). Já nas farmácias, a média gira em torno de R$ 0,39.
“Embora a precificação da cannabis medicinal pareça uniforme nas farmácias, essa variação do custo é significativa. Isso reflete diferenças de composição, eficiência produtiva e margem de lucro”, avalia Goulart.
Novos produtos, mas não novos players
O estudo também evidencia um mercado em plena aceleração, mas ainda concentrado em poucas mãos. Segundo a companhia, nos primeiros anos de regulamentação, apenas oito produtos chegaram ao varejo farmacêutico. Nos oito primeiros meses do ano passado, foram 11 lançamentos.
Apesar da expansão do portfólio, o mercado ainda não se mostra tão aberto à entrada de novos players. De acordo com a empresa, os produtos lançados estão mais ligados à diversificação das apresentações das marcas já autorizadas.
Com a revisão da RDC 327/19, cujo processo deve ter início ainda em janeiro, a expectativa é que as farmácias passem a trabalhar com mais formas farmacêuticas. “O cenário pode mudar rapidamente, consolidando as farmácias como a principal via de acesso à cannabis medicinal no Brasil”, finaliza.
Revisão foi suspensa em dezembro
A Anvisa pautou, na primeira quinzena de dezembro, possíveis alterações na RDC 327, que regula os produtos à base de cannabis medicinal vendidos nas farmácias. Porém, o debate não avançou após o pedido de vista do diretor Thiago Campos. O prazo para a retomada das deliberações é de 30 dias corridos.