Preço da cannabis medicinal nas farmácias é marcado pela flutuação
Desde 2022, produtos registraram 46 mil preços
por César Ferro em e atualizado em
O preço da cannabis medicinal nas farmácias brasileiras foi alvo de um estudo da Kaya Mind iniciado em 2022. Nestes três anos de análise, a companhia destaca: a flutuação é a palavra que melhor define o comportamento da precificação. As informações são do Cannalize.
No período, a empresa captou mais de 46 mil preços de produtos à base da erva. O levantamento levou em conta 64 pontos de venda (PDVs) e 45 apresentações diferentes de 15 empresas.
Preço da cannabis medicinal nas farmácias é superior
De acordo com o estudo, os produtos vendidos nas farmácias continuam, em média, sendo os mais caros, à frente daqueles comprados via importação ou por meio das associações. “Essa hierarquia reforça o desafio de democratizar o acesso, especialmente em um país com renda média mensal de pouco mais de R$ 3 mil”, declara a Kaya Mind.
Variação por miligrama é mais significativa
Apesar da precificação da cannabis medicinal parecer uniforme nas farmácias, a consultoria alerta que a variação do custo por miligrama é significativa. “Isso reflete diferenças de composição, eficiência produtiva e margem de lucro”, completa.
Novos produtos, mas não novos players
O estudo da Kaya Mind também evidencia um mercado em plena aceleração, mas ainda concentrado em poucas mãos. Segundo a companhia, nos primeiros anos de regulamentação, apenas oito produtos chegaram ao varejo farmacêutico. Em comparação, nos oito primeiros meses do ano passado, foram 11 lançamentos.
Apesar da expansão do portfólio, o mercado ainda não se mostra tão aberto à entrada de novos players. De acordo com a empresa, os produtos lançados estão mais ligados à diversificação das apresentações das marcas já autorizadas.
Com a revisão da RDC 327/19 para janeiro, a expectativa é que as farmácias passem a trabalhar com mais formas farmacêuticas. “Se isso ocorrer, o cenário pode mudar rapidamente, consolidando as farmácias como a principal via de acesso à cannabis medicinal no Brasil”, finaliza.
Revisão foi suspensa em dezembro
A Anvisa pautou, na primeira quinzena de dezembro, possíveis alterações na RDC 327, que regula os produtos à base de cannabis medicinal vendidos nas farmácias. Porém, o debate não avançou após o pedido de vista do diretor Thiago Campos, segundo informações do Sechat.
Durante a reunião da Diretoria Colegiada (Dicol), o diretor relator Rômison Rodrigues Mota apresentou seu parecer favorável à minuta. Na sequência, Campos pediu vista. Como se trata de um tema em análise em circuito deliberativo, o prazo é de 30 dias corridos.