Reforma tributária impõe blindagem fiscal urgente para empresas do Lucro Real
por Leandro Luize em
A reforma tributária entrou na fase decisiva para o varejo farmacêutico. Em 2026, o que ainda parece teste é, na prática, a última janela para estruturar processos antes da virada operacional prevista para 1º de janeiro de 2027. Para farmácias no Lucro Real, o recado é direto – a manutenção da margem dependerá da capacidade de comprovar, com precisão, cada crédito de IBS e CBS, o que exige tecnologia intensiva.
“A não cumulatividade plena só existe, de fato, quando a empresa consegue provar cada etapa da operação. Sem rastreabilidade, o crédito vira risco”, afirma Giuseppe Picolli, que integra a seção Os Especialistas do Panorama Farmacêutico.
Fiscalização em tempo real eleva o risco
O novo modelo, sustentado pela EC 132/2023 e regulamentações posteriores, introduz o split payment e amplia o cruzamento de dados entre NF-e, NFC-e, fluxo financeiro e inventário. Na prática, isso cria uma malha fina contínua, que valida créditos apenas quando há correspondência exata entre entrada, estoque e saída.
Nesse cenário, o Bloco K do SPED Fiscal ganha protagonismo. A exigência de controle por EAN, lote e data de validade deixa de ser um detalhe operacional e passa a ser determinante para o resultado financeiro.
“Erro de estoque não se limita apenas à perda operacional. Agora, pode significar glosa de crédito e autuação imediata”, alerta Picolli. “A fiscalização passa a enxergar inconsistências quase em tempo real.”
Bloco K: o ponto crítico da operação
A combinação entre inventário físico e escrituração fiscal cria um dos maiores pontos de atenção para o setor. Divergências simples, como perdas não registradas ou inconsistências de lote, podem levar à presunção de omissão de receita.
Sem o devido apuro, o empresário tende a pagar imposto sobre uma venda que não existiu e ainda perder o crédito da compra original. O impacto é direto na margem e pode gerar passivos relevantes. “A gestão manual não suporta esse nível de exigência. Quando falamos de lote e validade, qualquer erro humano vira um problema fiscal”, explica Picolli.
Automação como vantagem competitiva
Diante desse cenário, a automação deixa de ser eficiência operacional e passa a ser estratégia fiscal. Soluções baseadas em leitura automatizada de dados, entre as quais EAN, lote e validade, permitem integrar estoque físico, documentos fiscais e fluxo financeiro em um único ambiente confiável.
Isso viabiliza a chamada conciliação quádrupla, que contempla NF-e de entrada, estoque físico, NFC-e de saída e split payment. O resultado é um ciclo fechado de validação, que protege créditos e reduz o risco de autuações. “A automação transforma o compliance em rotina, o que garante previsibilidade de margem no novo modelo tributário”, resume.
Para o gestor farmacêutico, a mensagem é clara: 2026 não é um período de adaptação gradual, mas de decisão estratégica. Quem estruturar agora seus processos e investir em tecnologia chega a 2027 com vantagem competitiva. Quem adiar, corre o risco de ver sua margem ser corroída por erros que já não serão tolerados.