Reforma tributária pressiona o varejo
Apesar de cortar impostos sobre medicamentos, novas regras forçam atualização
por César Ferro em
O varejo farmacêutico já começou a sentir os primeiros efeitos da reforma tributária, cuja fase de transição se iniciou neste mês de janeiro. Apesar de reduzir em até 60% a alíquota de medicamentos, a mudança também prevê ajustes operacionais e tecnológicos no setor.
Após a virada do ano, teve início o período de convivência entre o sistema atual e o novo modelo, baseado no Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Neste primeiro momento, entram em teste a Contribuição sobre Bens e Serviços – CBS (que substitui PIS e Cofins) e o Imposto sobre Bens e Serviços – IBS (que unifica ICMS e ISS). Além disso, passam a valer novos documentos fiscais eletrônicos e o split payment, com retenção automática do imposto no momento da venda.
Especialista prega atenção à reforma tributária já em 2026
Apesar do encerramento do sistema atual estar previsto apenas para 2033, Fran Teixeira, tributarista e especialista em produtos tributários da Zetti, afirma que a reforma tributária começa agora. “A desinformação pode levar empresários a ignorarem uma etapa crítica. A mudança começa em 2026 e afeta a operação desde o primeiro dia”, argumenta.
A especialista destaca que a correta aplicação das alíquotas diferenciadas será determinante para evitar perdas financeiras. “Se o sistema não estiver parametrizado com rigor, a drogaria pode perder benefícios tributários e ainda comprometer seu capital de giro por conta da retenção incorreta”, alerta.
Fran finaliza afirmando que as farmácias que concluíram os ajustes ainda em 2025 começam o ano com maior previsibilidade, enquanto quem adiar a adaptação corre o risco de enfrentar falhas fiscais e financeiras logo no início da vigência do novo sistema.
Farmácias Nissei iniciaram testes em novembro
Em novembro de 2025, a Farmácias Nissei passou a integrar o programa piloto da reforma tributária. A varejista foi uma das 129 companhias escolhidas pelo governo para operar o sistema antes da transição, que começou neste mês de janeiro.
“Acho que isso mostra um pouco da credibilidade que temos. Ao mesmo tempo, trata-se de uma oportunidade de contribuir com uma mudança importante”, analisa o CFO, André Lissner.