Saldo negativo de farmácias acende alerta no varejo farmacêutico em 2025
Mais farmácias fecharam do que abriram em um ano pela primeira vez
por Gabriel Noronha em
A divulgação dos números de inaugurações e fechamentos de farmácias em 2025 acendeu um alerta no varejo farmacêutico. Os dados indicam uma interrupção no ciclo de expansão observado nos últimos anos, levando especialistas a analisar as causas desse movimento.
De acordo com indicadores divulgados pela Close-Up International, o canal farma registrou em 2025, pela primeira vez, um saldo negativo no número de pontos de venda no país.
Ao todo, 6,7 mil farmácias foram inauguradas em 2025, enquanto 9,8 mil encerraram suas atividades. O volume de aberturas é o menor dos últimos anos, representando uma retração de 39,3% em relação a 2022.
Na prática, isso significa que aproximadamente 14 farmácias foram descontinuadas para cada 100 inauguradas ao longo de 12 meses.
Pequenas e médias sofrem com crise no varejo farmacêutico
As pequenas e médias redes estão entre as mais afetadas. Em quatro anos, esse grupo reduziu sua presença de 7.537 para 6.551 unidades, uma queda de 22,6%. Já as farmácias independentes encerraram o período com saldo negativo de 1.567 unidades, mesmo mantendo mais de 56 mil lojas em operação.
“Existe um forte impulso empreendedor, mas a capacidade de sustentar o negócio no médio prazo é cada vez menor. A intuição não é mais suficiente. Especialização em gestão e no uso inteligente de dados deixaram de ser diferenciais para ser requisitos básicos de sobrevivência”, adverte Paulo Costa, consultor empresarial e fundador da Éden Grupo.
Grandes redes também foram impactadas
Mesmo que menos afetadas, as grandes companhias do setor não passaram ilesas. Redes varejistas vêm revisando seus planos de expansão física, citando custos mais elevados e a necessidade de desalavancagem financeira como principais justificativas.
O Assaí, por exemplo, reduziu pela metade a previsão de abertura de lojas em 2025, enquanto o Carrefour Brasil afirmou que o segmento de atacarejo, um dos que mais abriu lojas na última década, deve reduzir o ritmo de inaugurações.
“Quando até os segmentos mais resilientes passam a pisar no freio, fica claro que o problema é estrutural, não conjuntural. O varejo não está morrendo, mas o tempo do crescimento baseado apenas em abrir portas ficou para trás”, acrescenta o consultor.
A tese é reforçada por dados divulgados pela Cortex, que revelam uma retração de 11% no número de novas unidades no canal do varejo alimentar ao longo do último ano.