Transformação da composição familiar impacta o consumo
por Ana Claudia Nagao em
As mudanças na estrutura dos lares brasileiros já se refletem diretamente nos padrões de consumo. O público sênior concentra 16% dos gastos em bens massivos, ao mesmo tempo em que lares com apenas um filho respondem por 32% do faturamento da cesta. Casais sem filhos ganham relevância principalmente devido aos gastos com alimentos para animais, alcançando a marca de 41% do índice
Concentração dos gastos em bens massivos de consumo
(participação de cada composição familiar, em %)

Consumo fragmentado exige integração de canais
O consumidor brasileiro mantém uma jornada cada vez mais distribuída entre canais. Em média, navega por oito canais diferentes e realiza 24 compras de abastecimento por ano. No e-commerce de bens de consumo massivo, os pedidos avançam 13,8%, com 40% das compras realizadas via WhatsApp. Já no delivery de alimentos e bebidas, a penetração chega a 77%, com tíquete médio quase três vezes superior ao dos canais não digitais.
Dados de destaque
Canais utilizados para compras (em média) – 8
Compras por ano – 24
Crescimento do e-commerce – 13,8%
Concentração das vendas no WhatsApp – 40%
Penetração do delivery no segmento de alimentos e bebidas – 77%
Comparativo entre o tíquete médio dos canais delivery e não digital no segmento de alimentos e bebidas – Índice do delivery é quase três vezes superior
Fonte: Kantar
Saúde mental passa a influenciar decisões de compra
O avanço dos afastamentos por transtornos emocionais reforça a centralidade do bem-estar nas escolhas do consumidor. Entre 2023 e 2025, as licenças médicas por ansiedade e depressão cresceram 68%, indicando um cenário em que equilíbrio emocional, rotina sustentável e autocuidado ganham peso. Em 2026, produtos associados a benefícios físicos e mentais tendem a se consolidar como diferenciais competitivos.
Dados de destaque
Variação no número de licenças médicas por ansiedade e depressão entre 2023 e 2025 – +68%
GLP-1 redefine hábitos alimentares no Brasil
O consumo de alimentos no Brasil passa por um duplo movimento. De um lado, a busca por escolhas mais saudáveis se intensifica, com 46% dos consumidores afirmando reduzir o consumo de açúcar. De outro, a disseminação do uso de medicamentos à base de GLP-1 vem alterando de forma estrutural os hábitos alimentares, principalmente no tamanho das porções.
Antes da popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, pessoas que não utilizavam o medicamento ingeriam, em média, 44% mais alimentos. Após o início ou a consideração do uso desses medicamentos, essa diferença caiu para 20%, indicando uma mudança relevante no padrão de consumo.
O cenário abre espaço para estratégias complementares: a ampliação da oferta de produtos saudáveis acessíveis, ao mesmo tempo em que linhas premium ganham relevância, com foco em nutrição essencial e porções inteligentes, alinhadas ao novo comportamento do consumidor.
Dados de destaque
Consumidores que diminuíram a ingestão de açúcar – 46%
Diferença entre o volume de alimentos ingeridos por usuários e não-usuários de GLP-1 antes da popularização da categoria – +44% para os não-usuários
Diferença entre o volume de alimentos ingeridos por usuários e não-usuários de GLP-1 após a popularização da categoria – +20% para os não-usuários
Diferentes categorias bebidas avançam no canal
As tendências de consumo e estilo de vida seguem impactando diariamente o mercado de bebidas: enquanto os consumidores buscam equilibrar funcionalidade, bem-estar e consumo consciente, cresce a procura por bebidas proteicas, cervejas com 0% ou baixo teor alcoólico e indulgências premium.
As bebidas proteicas ampliaram rapidamente sua presença nos lares brasileiros, passando de 5% de penetração em 2023 para 13% em 2025. Já as cervejas 0% álcool também avançaram de forma consistente, saindo de 10% para 15% no mesmo período.
