Varejo concentra 40% dos golpes digitais no Brasil
Setor lidera fraudes online no país, aponta pesquisa
por Gabriel Noronha em
Uma pesquisa da Branddi, empresa especializada em proteção de marcas no ambiente virtual, revelou que o varejo é o principal alvo de golpes digitais no país. Segundo o levantamento, o varejo concentra 40% dos ciberataques registrados no Brasil, à frente do segmento financeiro (21%) e da área de tecnologia (10%).
Além de prejudicar consumidores, frequentemente lesados por falsos anúncios e promoções, as fraudes também comprometem a credibilidade das empresas no e-commerce. “Indicamos que os consumidores priorizem sites oficiais, com domínios confiáveis, especialmente os terminados em . com. br. Verificar a URL é fundamental, já que os golpistas costumam utilizar variações mínimas, como .shop, -oficial ou br-oficial, para confundir o usuário”, explica Diego Daminelli, CEO da Branddi.
Atenção pode evitar golpes digitais
A Branddi também realizou uma pesquisa que identificou os principais sinais de alerta durante compras online. Preços muito abaixo do mercado são o principal sinal de alerta, com 78% das menções. Em seguida aparecem identidades visuais e informações duvidosas (57%), perfis com poucos seguidores ou comentários desativados (40%), formas de pagamento incomuns (39%) e anúncios constantes e repetitivos (32%).
“Outra recomendação importante é nunca finalizar compras por números de WhatsApp desconhecidos e manter a desconfiança diante de preços excessivamente baixos, mesmo em períodos como a Black Friday, na qual ocorrem grandes promoções”, complementa.
Redes sociais ajudam na difusão dos golpes
De acordo com dados compilados pela Serasa Experian, 77% dos 37,8 mil golpes registrados no Brasil no ano passado foram identificados nas redes sociais.
Embora 98% dessas ameaças tenham sido removidas pelos sistemas de regulação das plataformas, o tempo médio entre a detecção e a exclusão dos conteúdos é de quatro dias. É um período suficiente para que muitos consumidores sejam enganados.
“A eficiência no combate a golpes digitais depende de resposta rápida, porque o modus operandi dos fraudadores é manter um ciclo contínuo de testes e republicações, experimentando mensagens, trocando links, recriando perfis e anúncios, sempre a fim de ganhar escala antes de serem detectados”, explica o diretor de autenticação e prevenção a fraudes do Serasa Experian, Rodrigo Sanchez.
A maior parte das ocorrências detectadas em 2025 está associada a anúncios fraudulentos (56%), seguida por perfis falsos (32%), que em muitos casos funcionam como “vitrines” para direcionar o consumidor a páginas (11%) ou aplicativos (1%) maliciosos.
Diante desse cenário, é fundamental que as empresas redobrem a atenção à proteção de suas marcas no ambiente virtual. Além dos prejuízos diretos aos consumidores, os golpes impactam de forma significativa a reputação e a credibilidade das organizações, especialmente no e-commerce, onde a confiança é decisiva para a conversão e fidelização.
Monitorar constantemente o uso indevido da marca, agir com rapidez na remoção de conteúdos fraudulentos e investir em estratégias de prevenção e conscientização são medidas essenciais para evitar danos à imagem institucional e preservar a relação de confiança com o público.