WhatsApp lidera OTC online e acirra disputa por preço
Com 62% das compras digitais, aplicativo impulsiona jornadas diretas enquanto marketplaces avançam sobre missões simples
por Leandro Luize em e atualizado em
O avanço da digitalização e a pressão de preços devem redesenhar a dinâmica do mercado de OTC no Brasil. Dados da Worldpanel by Numerator indicam que o WhatsApp já responde por 62% das compras online da categoria, consolidando jornadas cada vez mais diretas e conversacionais – muitas vezes intermediadas por farmácias independentes e redes regionais.
O movimento ocorre em paralelo ao reajuste de preços de medicamentos, que tende a intensificar a busca do consumidor por conveniência e economia. Nesse contexto, novos canais digitais, como o Mercado Livre, ganham espaço e pressionam o varejo farmacêutico tradicional, sobretudo nas missões de compra mais simples.
Missões simples aceleram migração de canal
Os números reforçam essa tendência. Hoje, 34% das compras no canal farma são compostas exclusivamente por OTC, evidenciando transações menos complexas e mais suscetíveis à migração para plataformas mais competitivas. Ao mesmo tempo, a categoria já alcança 42 milhões de lares brasileiros, com a entrada recente de 334 mil novos domicílios.
Apesar da expansão, a frequência de compra permanece estável em quatro ocasiões por ano por lar. Por outro lado, o volume por ocasião cresceu 5,6%, enquanto as ocasiões avançaram 2,1%, sinalizando que o consumidor está comprando mais a cada visita, mas ainda sem aumentar a recorrência.
Consumidor reativo amplia sensibilidade a preço
Outro fator relevante é o perfil do consumidor. O estudo aponta que 45% dos brasileiros se enquadram como Health Passives, menos engajados com saúde e mais reativos à necessidade imediata. Esse comportamento amplia a sensibilidade a preço e canal, além de concentrar a demanda em categorias como analgésicos.
O crescimento recente também tem sido puxado por consumidores menos intensos, com a entrada de 954 mil novos lares desse perfil. Na prática, trata-se de um público com menor fidelidade e maior propensão a migrar entre canais conforme vantagens de preço e conveniência.
Digitalização e bem-estar sustentam avanço
Paralelamente, o contexto de saúde no país reforça a relevância do OTC. Apenas 56% dos brasileiros afirmam se sentir bem física e mentalmente, enquanto as licenças médicas por ansiedade e depressão cresceram 68% na última década. O cenário amplia a demanda tanto por soluções de alívio imediato quanto por produtos voltados ao bem-estar.
A combinação entre pressão de preços, digitalização e mudança no comportamento de compra indica que a disputa no mercado de OTC tende a se concentrar cada vez mais em conveniência, agilidade e competitividade, abrindo espaço para novos modelos de distribuição além do canal farma tradicional.