Como possibilitar interações personalizadas nas farmácias?
Segundo especialista, personalização começa na estratégia de produto e no desenho da jornada
por César Ferro em
Com o consumidor cada vez mais exigente em relação à qualidade da experiência nas farmácias, gerar interações personalizadas deixou de ser apenas uma ação tática de comunicação e passou a ser uma decisão estratégica de produto. Mais do que escolher canais ou disparar ofertas, trata-se de desenhar uma jornada que gere valor real para o cliente, da concepção a cada ponto de contato.
Para o diretor do Cosmos Pro, Felipe Castanheira, esse processo começa antes mesmo da ativação de qualquer campanha. “É necessário conhecer profundamente o cliente para que o produto seja concebido a partir do perfil, das necessidades e dos comportamentos dele. A personalização nasce no desenho da jornada, não no disparo da mensagem”, afirma
A partir dessa lógica, é preciso organizar informações de comportamento, padrões de compra e recorrência de consumo para orientar decisões: o que priorizar, quando interagir e qual tipo de valor entregar em cada etapa da relação. As clusterizações e análises preditivas deixam de ser um fim em si mesmas e passam a alimentar escolhas estratégicas sobrea a experiência oferecida.
Produto é orquestrador da estratégia
Nesse modelo, a área de Produtos assume um papel central de orquestração entre marketing, tecnologia e operação. Cabe ao produto traduzir os dados em decisões claras, garantindo que as soluções evoluam continuamente a partir do comportamento real do cliente – e não apenas de hipóteses ou regras simplistas.
Castanheira reforça que a personalização precisa ir além da lógica básica do “se comprou X, recomendo Y”. É fundamental considerar contexto, recorrência, sazonalidade e mudanças no perfil do consumidor. “A compra pontual de um pacote de fraldas não indica, necessariamente, uma mudança definitiva de perfil. Já a recorrência precisa ser interpretada pelo produto para ajustar prioridades e experiências”, exemplifica.
Essa leitura contínua evita tanto abordagens rasas quanto interações excessivamente invasivas, preservando a relevância e o respeito ao shopper ao longo da jornada.
Canais são meios, não estratégia
Os canais – como SMS, push notification ou WhatsApp – entram como instrumentos para viabilizar a estratégia definida pelo produto, e não como o centro da decisão. A escolha do meio deve refletir o contexto, o perfil do consumidor e o momento da jornada.
“A comunicação só gera valor quando respeita a preferência do cliente e o propósito da interação. O canal é apenas o veículo para entregar a experiência que o produto desenhou”, destaca Castanheira. Um contato telefônico pode ser adequado para um público mais maduro, enquanto para consumidores mais jovens pode soar invasivo, reforçando a importância de decisões orientadas pelo comportamento real.
Evolução contínua da personalização
Soluções como o Full Points, clube de fidelidade e CRM da Procfit, apoiam esse processo ao estruturar indicadores que ajudam a identificar perfis, padrões e oportunidades de evolução da jornada. Mais do que mapear personas, o objetivo é permitir que o produto aprenda continuamente com o uso, refine suas decisões e mantenha a personalização relevante ao longo do tempo.
Nesse contexto, a personalização deixa de ser uma ação pontual e passa a integrar a estratégia institucional da empresa, sustentando uma relação mais inteligente, equilibrada e duradoura com o consumidor.