Anvisa aprova obinutuzumabe para nefrite lúpica
Medicamento da Roche recebeu aval da agência para extensão de bula
por César Ferro em e atualizado em
A Roche Farma Brasil recebeu parecer favorável da Anvisa para a extensão de bula do obinutuzumabe no tratamento de pacientes adultos com nefrite lúpica, incluindo aqueles com Classes III ou IV, com ou sem Classe V concomitante, em associação à terapia padrão. A decisão amplia as opções terapêuticas para uma das manifestações mais graves do lúpus eritematoso sistêmico (LES), condição que pode levar à perda progressiva da função renal e à necessidade de diálise ou transplante.
A aprovação foi formalizada por meio da Resolução RE nº 5.268. A decisão representa um avanço relevante no manejo clínico da doença inflamatória renal crônica, que está associada a um risco de mortalidade de duas a seis vezes maior quando comparada ao LES sem a complicação.
No cenário internacional, os Estados Unidos foram o primeiro país a aprovar o medicamento para o tratamento do quadro. A autorização foi concedida pela FDA em outubro de 2025, com base nos estudos NOBILITY e REGENCY. O remédio também foi aprovado na União Europeia, em Taiwan e nos Emirados Árabes Unidos.
Inflamação renal persistente é característica da doença
A nefrite lúpica é caracterizada por inflamação renal persistente, acompanhada de sinais clínicos e laboratoriais de atividade da doença. A condição pode evoluir para insuficiência renal crônica, hospitalizações recorrentes e desfechos clínicos graves.
Ao longo da vida, estima-se que cerca de 60% das pessoas com lúpus desenvolvam a doença, e que até 30% dos pacientes progridam para um quadro renal em estágio terminal – fase em que ocorre perda irreversível da função do órgão, exigindo diálise ou transplante, mesmo com o uso do tratamento convencional.
Estimativas indicam que, no Brasil, entre 75 mil e 150 mil pessoas convivem com a condição. Ela afeta predominantemente mulheres jovens, entre 20 e 45 anos, em sua maioria negras ou pardas. O impacto vai além da saúde, comprometendo a vida pessoal, reprodutiva, acadêmica e profissional, frequentemente agravado por diagnóstico tardio, dificuldades de acesso a especialistas e elevada carga emocional e socioeconômica.
Quadro é desafio para o sistema de saúde
A nefrite lúpica segue como um dos principais desafios para o sistema de saúde. Mesmo com os tratamentos medicamentosos atualmente disponíveis, estudos indicam que mais de 60% dos pacientes com a forma ativa da doença não conseguem manter o controle adequado e apresentam perda progressiva da função renal.
A terapia padrão, baseada no uso de corticosteroides e imunossupressores, apresenta eficácia limitada e pode causar efeitos adversos relevantes quando utilizada por longos períodos. Menos de 40% dos pacientes alcançam resposta renal completa, e a recorrência da doença é frequente nos primeiros anos de tratamento.
Além do impacto clínico, a nefrite lúpica está associada a um risco de morte até dez vezes maior quando comparada ao lúpus sem comprometimento renal, podendo atingir taxas de mortalidade de até 47%, especialmente entre pacientes internados em unidades de terapia intensiva.