Reforma tributária exige atenção extra à precificação
Mudança não é mais teoria e já começa a mudar rotina das farmácias
A reforma tributária já deixou de ser uma discussão teórica para se tornar uma mudança concreta na rotina do varejo farmacêutico. Com a criação de novos tributos sobre o consumo e a extinção de outros mais antigos, além da adoção de um novo modelo de tributação – mais transparente e não cumulativo –, o impacto sobre a precificação nas farmácias será relevante.
Para o CEO da Distribuidora Mais Saúde e integrante do time da seção Os Especialistas do Panorama Farmacêutico, Israel Cintra, o principal ponto de atenção está na mudança no modelo de formação de preços. A partir desse novo cenário, será necessário maior domínio técnico, aliado a uma visão estratégica por parte dos gestores.
Reforma tributária altera dinâmica de custos
A substituição dos tributos atuais pelo CBS, em nível federal; e pelo IBS, nas esferas estaduais e municipais, junto a um modelo de crédito financeiro pleno, elimina distorções históricas como a cumulatividade e a guerra fiscal entre estados. Na prática, isso significa que o imposto deixa de compor o custo e passa a ter compensação ao longo da cadeia.
Para o executivo, outro ponto crítico reside no split payment, modelo em que o tributo é recolhido automaticamente no momento da transação. “Esse mecanismo reduz o risco de inadimplência fiscal, mas também diminui o fluxo de caixa disponível, exigindo um planejamento financeiro mais profissional”, alerta.
Novo cenário, nova relação entre margem e markup
Com o fim da substituição tributária e a nova lógica de créditos e débitos, um dos conceitos mais afetados é o uso automático de markup. Dependendo da carga tributária efetiva e da estrutura de custos, produtos com o mesmo percentual de marcação podem apresentar margens completamente diferentes.
A mudança exige também uma revisão de mentalidade. Preço não é apenas consequência do custo, mas uma decisão estratégica para maximizar margens. “Farmácias que não dominarem essa lógica tendem a perder competitividade e rentabilidade”, declara Cintra.
A precificação deve considerar o papel de cada produto no mix, seja como gerador de margem, tráfego ou posicionamento. Além disso, será fundamental revisar a estrutura de custos, identificar desperdícios e ajustar o orçamento para manter a eficiência operacional.
Como o gestor deve se preparar?
O CEO elencou algumas medidas essenciais para atravessar a transição com segurança:
- Investir em sistemas de gestão capazes de apurar corretamente créditos e débitos tributários
- Mapear a nova classificação fiscal de todos os SKUs
- Simular cenários pré e pós-reforma para avaliar impactos reais
- Revisitar custos e políticas comerciais
- Estruturar uma estratégia de preços baseada em margem e valor
“A reforma tributária promete simplificar o sistema no longo prazo. Mas no curto e médio, exigirá adaptação rápida e qualificada. Para o varejo farmacêutico, isso significa transformar a precificação em uma competência central do negócio”, conclui.