Nova denúncia sobre propinas envolve a Ultrafarma
MP de São Paulo aponta lavagem de R$ 900 mil envolvendo fiscal aposentado da Fazenda e sua esposa
por Gabriel Noronha em e atualizado em
A investigação sobre um suposto esquema de propinas envolvendo a Ultrafarma ganhou um novo desdobramento em São Paulo. O Ministério Público estadual apresentou um complemento à denúncia da Operação Ícaro apontando que o auditor fiscal aposentado Alberto Toshio Murakami e sua esposa, Erica Sakamoto Murakami, teriam lavado cerca de R$ 900 mil supostamente pagos pela varejista em troca de benefícios tributários irregulares.
Conhecido como “Americano” entre integrantes da Receita estadual, Murakami é considerado foragido da Justiça desde agosto do ano passado. Segundo o MP, os valores teriam sido pagos pelo empresário Sidney de Oliveira, fundador da Ultrafarma, para acelerar e ampliar restituições de créditos de ICMS. As informações são do portal IstoÉ Dinheiro.
De acordo com os promotores do Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec), o responsável pela coleta dos valores seria o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, apontado como um dos operadores centrais do esquema. Preso em agosto de 2025, ele teria movimentado recursos milionários por meio de empresas de fachada.
MP aponta contrato imobiliário simulado
Mensagens encontradas no celular de Artur Gomes, apreendido durante a Operação Ícaro, indicam uma transferência de R$ 900 mil para Erica Murakami, realizada em fevereiro de 2023, supostamente a pedido do auditor aposentado.
Segundo o Ministério Público, o dinheiro saiu da Smart Tax, empresa registrada em nome da mãe de Artur, uma professora aposentada de 74 anos apontada pelos investigadores como possível “laranja” do esquema.
Para justificar a operação, os envolvidos teriam formalizado dias antes um contrato de compra e venda de cinco imóveis pertencentes ao casal Murakami, em uma negociação declarada em R$ 4,95 milhões.