Canal digital lidera crescimento apesar de precificação
Segundo o Resumo do Mercado Farmacêutico Brasileiro, da Close-Up International, canal tem preços acima do mercado
por César Ferro em
Segundo o mais recente estudo da Close-Up International, o varejo farmacêutico registrou faturamento de R$ 176,6 bilhões nos últimos 12 meses até março deste ano (MAT 3/26). Apesar do protagonismo das grandes redes, o canal digital segue ganhando relevância.
Com receita de R$ 17,1 bilhões no período, esse subcanal responde por 9,7% do montante movimentado pelas farmácias. Além disso, avançou 38,6% no período, liderando o crescimento com folga.
| Subcanal | Faturamento | Crescimento |
| TOTAL | R$ 176,6 bi | 12,6% |
| Grandes redes | R$ 87 bi (49,3%) | 11% |
| Associativistas | R$ 36,7 bi (20,8%) | 12,1% |
| Independentes | R$ 28,4 bi (16,1%) | 7,8% |
| Digital | R$ 17,1 bi (9,7%) | 38,6% |
| Pequenas redes | R$ 3,8 bi (2,2%) | 3,9% |
| Médias redes | R$ 3,3 bi (1,9%) | 7,4% |
“A conveniência tornou-se um fator relevante para o consumidor atual. Isso explica o crescimento robusto observado nos últimos 12 meses”, afirma Anderson Ozawa, CEO & fundador da AOzawa Consultoria.
Preço impulsionou o crescimento do setor
Segundo a Close-Up, os lançamentos foram o principal driver do setor, com 5,9%. O preço aparece na sequência (5%), seguido pelo avanço no volume de itens comercializados (1,6%).
No que se refere aos preços, as estratégias do digital chamam a atenção. O subcanal, que já praticava valores acima da média no MAT 3/25, registrou a maior inflação, com alta de 10,8%.
Preços no digital chamam a atenção

Para o executivo, o que explica esse crescimento, mesmo com preços médios até R$ 50 superiores, é uma combinação de mix e comportamento do consumidor. “Em geral, quem compra pela internet busca produtos de maior valor agregado, como dermocosméticos e suplementos. Já as independentes, com preço médio de R$ 15,20, dependem mais da venda de medicamentos de baixo custo, como MIPs e genéricos”, analisa.
Por concentrarem itens de maior valor agregado, as plataformas operam com o menor markup do mercado. As farmácias de menor porte, por sua vez, tendem a aplicar margens mais elevadas sobre o mix.
Canal trabalha com markup baixo

“As plataformas digitais têm uma forma muito eficaz de indicar produtos complementares. Assim, aumentar a cesta e o tíquete médio de cada consumidor torna-se mais simples, reduzindo a necessidade de trabalhar com margens mais altas em cada SKU isoladamente”, explica Osawa.
Para Gabriel Ribeiro, um dos integrantes da seção Os Especialistas do Panorama Farmacêutico, a disputa pelo cliente no universo online tornou-se ainda mais cara e complexa por conta do aumento do CAC, impulsionado por fatores como a maior tributação nas plataformas de Ads e taxas na casa dos 15% nos marketplaces. Nesse contexto, as empresas nativas digitais saem na frente em função do poder que detêm sobre os dados.