Redes de farmácias com ações na B3 devem manter crescimento no 2º tri
Análise do Itaú BBA projeta desempenho de três players do setor
por Adriana Bruno em
A prévia de resultados do segundo trimestre de 2026 elaborada pelo Itaú BBA indica perspectivas favoráveis para o varejo farmacêutico. Panvel e RD Saúde aparecem entre os destaques positivos do setor de varejo, classificadas pelo banco como The Bulls, grupo que reúne empresas com expectativa de forte desempenho na linha de receita.
De acordo com o relatório, embora as maiores empresas do setor listadas na B3 tenham registrado desaceleração de aproximadamente 500 pontos-base no segundo trimestre em relação ao primeiro, a expectativa é que esse movimento tenha impactos distintos.
No caso da Panvel, o Itaú BBA projeta que a companhia não sofra efeitos, sobretudo graças a tendência de aumento nas vendas de medicamentos da classe GLP-1. “Já no caso da RD Saúde, a previsão é de uma desaceleração mais branda, mas com chances de ganho de participação de mercado”, comenta Rodrigo Gastim, analista de pesquisa do banco.
Na percepção de César Bentim, sênior advisor da consultoria Green Rock e especialista no setor, a crescente pressão sobre as margens impõe uma disciplina operacional cada vez maior para as vareji
tas. “A escalada do GLP-1 nas farmácias ajuda a elevar o tíquete médio e a frequência de compra. Porém, o custo de aquisição desses medicamentos comprime a rentabilidade e força ajustes estratégicos no mix”, adverte.
Receita bruta projetada para o 2T26 (em R$ bilhões)

Panvel deve manter crescimento acelerado
O Itaú BBA mantém recomendação Outperform (desempenho superior) para a Panvel, com preço-justo estimado em R$ 19,00 ao final de 2026. Para o segundo trimestre, a instituição prevê crescimento de 13,2% nas vendas nas mesmas lojas (SSS), sendo 9,5% nas lojas maduras.
A receita bruta consolidada deverá atingir R$ 1,625 bilhão, o que representa uma alta de 14,9% na comparação anual.
O banco também estima:
- margem bruta de 30,4%
- EBITDA ajustado de R$ 83 milhões, com margem de 5,1%
- lucro líquido de R$ 36 milhões
Para o consolidado de 2026, as projeções são de:
- receita bruta de R$ 6,778 bilhões
- crescimento de 11% nas vendas nas mesmas lojas
- EBITDA ajustado de R$ 392 milhões, com margem de 5,8%
- lucro líquido de R$ 174 milhões
A digitalização vem sendo um dos trunfos da operação da varejista gaúcha, com foco inclusive na inteligência artificial. “A tecnologia está presente em toda a cadeia de valor, desde a precificação até o atendimento ao consumidor e a logística. Em um ano, a ruptura caiu um ponto percentual e diminuiu em 15 dias o tempo de permanência do produto em estoque”, ressalta Raphael Monteiro, diretor de digital e clientes.
Crescimento das vendas nas mesmas lojas (SSS) no 2T26 (%)

RD Saúde deve ampliar participação de mercado
Para a RD Saúde, o Itaú BBA mantém recomendação Market Perform, com preço-justo de R$ 20,00 para o final de 2026. A expectativa para o segundo trimestre é de crescimento de 12,1% nas vendas nas mesmas lojas, sendo 10,5% nas lojas maduras.
A receita bruta deverá alcançar R$ 12,736 bilhões, avanço de 17,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A performance acompanha os crescentes investimentos do grupo na capilaridade, incluindo a abertura do 16º centro de distribuição. O complexo baseado em Itupeva, no interior paulista, recebeu aporte de R$ 90 milhões e já abastece mais de 350 PDVs nos mercados de São Paulo e Paraná.
“Ao mesmo tempo que essa nova unidade logística amplia nossa capacidade de atendimento, também fortalece o desenvolvimento econômico da região por meio da geração de emprego e renda”, reforça o CEO Renato Raduan.
As estimativas também incluem:
- margem bruta de 28,9%
- EBITDA ajustado de R$ 1,029 bilhão, com margem de 8,1%
- lucro líquido ajustado de R$ 439 milhões
Para o fechamento de 2026, o banco projeta:
- receita bruta de R$ 51,538 bilhões
- crescimento de 10,8% nas vendas nas mesmas lojas, sendo 9,3% nas lojas maduras
- EBITDA ajustado de R$ 3,879 bilhões, com margem de 7,5%
- lucro líquido de R$ 1,450 bilhão, chegando a R$ 1,572 bilhão quando considerado o lucro líquido ajustado
Pague Menos apresenta projeções positivas para o trimestre
A Pague Menos também recebeu recomendação Outperform, com preço-justo estimado em R$ 8,00 para o final de 2026. O relatório não apresenta projeções consolidadas para o ano, mas traz as estimativas para o segundo trimestre.
A expectativa é de:
- crescimento de 8% nas vendas nas mesmas lojas
- receita bruta de R$ 4,357 bilhões, alta de 9,6% na comparação anual
- margem bruta consolidada de 30,5%
- EBITDA ajustado de R$ 269 milhões, com margem de 6,2%
- lucro líquido ajustado de R$ 69 milhões
Entre as apostas da rede de bandeira cearense está o investimento em marcas próprias. Depois de faturar R$ 1 bi com essa categoria em 2025, a empresa pretende dobrar as vendas até 2029. “A capilaridade do portfólio foi decisiva para o crescimento. Atualmente atuamos em cerca de 40 categorias, com mais de 800 SKUs”, comenta a diretora da área, Mariana Senhore.