PBM torna-se estratégia central para rentabilidade no varejo
Especialista detalha como os programas de benefícios podem aumentar cesta de compras do paciente
por Gabriel Noronha em
Na visão de Christiano Fonseca, executivo da epharma com mais de 20 anos de experiência no mercado e que integra a seção Os Especialistas do Panorama Farmacêutico, operar sem Programas de Benefício em Medicamentos (PBM) deixou de ser opção e representa um erro estratégico grave.
De acordo com o executivo, apesar de o modelo de negócio ter sido introduzido no Brasil há mais de duas décadas, sua implementação ainda esbarra em falhas operacionais e falta de visão gerencial.
Conheça os principais desafios da implementação dos PBMs
Fonseca afirma que para iniciarem uma operação de sucesso com os programas de benefícios, gestores precisam se atentar a três principais pontos:
A omnicanalidade da jornada do paciente
Um dos maiores gargalos atuais consiste em não refletir as condições do PBM nos canais digitais da farmácia. Hoje, o consumidor habituou-se a pesquisar o medicamento e suas condições de desconto no e-commerce ou aplicativo de saúde logo após sair do consultório médico.
Se a farmácia não mantém um sistema integrado para exibir claramente as tags de desconto do laboratório no ambiente digital, o paciente fatalmente migrará para a concorrência.
“A jornada precisa ser acompanhada. O paciente tem a tecnologia em suas mãos, seja para comprar via e-commerce, num modelo clique e retire ou diretamente no balcão”, ressalta Fonseca.
Inteligência comercial
Outro aspecto importante é o cuidado com as “vendas fora do programa”, pois atrair o cliente é apenas o primeiro passo e o desafio real está na eficiência da operação no balcão. Muitas vezes, por falta de capacitação ou atenção do balconista, o medicamento que faz parte de um PBM é comercializado pelo “preço cheio” ou com o desconto-padrão da loja.
“Essa conduta destrói a rentabilidade da farmácia, pois impede que o varejo receba a recomposição de margem subsidiada pela indústria farmacêutica, além de penalizar o cliente”, explica.
Outros indicadores vitais incluem o monitoramento do market share regional da farmácia e a gestão afiada de estoques para evitar rupturas que interrompam o tratamento.
Inteligência artificial e a cesta de compras
A grande inovação atual no PBM é o uso de IAs para mapear as jornadas e personalizar o engajamento. Ferramentas modernas permitem cruzar dados para entender o potencial de compras complementares (cross-sell).
“Podemos gerar uma recompensa para um produto de outra categoria da mesma indústria, como um item de nutrição que componha a cesta de tratamento do paciente diabético”, exemplifica Fonseca. O farmacêutico ganha, assim, um papel consultivo crucial, aproveitando a fidelização gerada pelo PBM para estender o cuidado clínico e aumentar o tíquete médio.
Para alinhar todos esses processos, o executivo ainda destaca que já existem modelos de Joint Business Plan (JBP) estruturados entre autorizadoras de PBM e o varejo.
Esses planos de negócios conjuntos traçam metas qualitativas e quantitativas, garantindo que o uso da tecnologia e a capacitação da equipe resultem em crescimento real de participação de mercado.