Digitalização estratégica é caminho para aumentar rentabilidade
Especialistas afirmam que migrar para o digital sem planejamento traz resultados escassos
por César Ferro em
Vender por plataformas digitais deixou de ser um diferencial no varejo farmacêutico e já é quase um pré-requisito. Mas o que deveria ser uma estratégia para potencializar a receita apresenta, muitas vezes, um desempenho aquém do esperado.
“Muitos gestores marcam presença em marketplaces por marcar. Eles não conhecem seus clientes, não têm previsibilidade de compras e o impacto da operação digital para o faturamento é inferior às expectativas”, comenta Thaiane Abreu, diretora comercial e de produtos da Procfit.
Para a especialista, a digitalização estratégica passa por criar um ecossistema próprio completo, incluindo integrações com sistemas de loja e diferentes interfaces de contato.
Digitalização com propósito
A executiva destaca que o foco na presença digital da farmácia deve transcender o ato de abrir mais um canal de venda. A implementação deve ter como objetivo melhorar a experiência do usuário, eliminar fricções na jornada, tornar a operação mais leve, inteligente e rentável.
“Quando a farmácia faz uma venda por uma plataforma de last mile, por exemplo, ela pouco sabe sobre o shopper. Isso gera uma demanda por um determinado produto que pode não se repetir no futuro. A gestão fica no escuro”, argumenta.
Para ela, essas plataformas ajudam no escoamento de produtos, mas a rentabilidade pode ser otimizada. É nesse contexto que os canais proprietários mostram sua relevância.
Sistema próprio potencializa o relacionamento
O diretor de serviços da Procfit, Marcos Vinícius Consoli (Gemada), explica que plataformas proprietárias permitem ao varejista manter um relacionamento mais próximo com o consumidor. “Um ecossistema digital como o da Rheon facilita a comunicação de valores, a execução de estratégias de fidelização e a oferta de descontos assertivos”, expõe.
Ele explica que a ideia não é sair das plataformas de marketplace, mas oferecer aos clientes uma alternativa que, inclusive, viabiliza a incorporação de novos serviços. “Sistemas pensados para farmácias podem permitir integrações com Programas de Benefício de Medicamentos (PBMs), além de contar com funcionalidades que possibilitam a venda de medicamentos controlados de alto custo e demanda aquecida, como as canetas emagrecedoras”, destaca.
Para o especialista, muitos varejistas ainda recorrem apenas aos marketplaces devido à facilidade operacional. No entanto, ele sugere que o mercado especializado também já se desenvolveu nesse sentido. “A Rheon presta esse mesmo apoio. Não é apenas tecnologia, é como operá-la”, declara.
Jornada completa passa por ambos os canais
Thaiane e Gemada concordam que o cenário ideal é manter uma estratégia híbrida, aproveitando os pontos fortes de cada formato. “Muitos consumidores prezam pela comodidade e agilidade dos aplicativos de last mile, mas o gestor não deve abrir mão de fortalecer seu ecossistema digital para garantir rentabilidade e fidelização”, comenta a diretora.